Marido Virtual


Era 1970. No Jornal em que eu trabalhava estava agendada uma reunião de pauta. O novo Diretor de Redação recém chegado, metia medo nos repórteres. Por conta de seu surrealismo literário e suas ideias instigantes. E também por sua arrogância. Todos o temiam. E literalmente, tremiam diante da figura dele.

Sei lá, era um homem que assustava. Distribuindo os temas, chegou perto de mim e sentenciou: ”A Ana vai fazer uma matéria futurística. Me traga uma reportagem respondendo a questão: como será o mundo daqui a quarenta anos”. Boquiaberta aceitei a tarefa. Mesmo porque se não fizesse, seria demitida.


Saí as ruas, fui às Universidades, conversei com estudiosos. Com muita gente. E o resultado não foi nada animador. Naquela época não existia computadores, nem celulares, nem google. O futuro era completamente incerto. Principalmente com o poder vigente. O Brasil vivia a ditadura militar. Acho que todos estavam mais preocupados era com a política. Com as perseguições e prisões dos mais engajados. Com o terror instalado e a censura na imprensa. E eu, só queria cumprir minha pauta esmerando num belo texto. mas este tema mexia com meus neurônios.


Meus dados da matéria eram vagos, nebulosos. Não tinham novidades de impacto. Afinal escrevi. Por conta de minha imaginação para a ficção. O Jornal com a publicação da dita reportagem hoje, está guardado no museu hipolito josé da costa. Talvez microfilmado. Talvez, em algum site. Testemunha do meu ingresso no jornalismo. E da apuração de fatos que naquele momento, só poderiam ser de ficção.


Agora, a beira do ano 2026, fico pasmada com o ponto que chegou o tal desenvolvimento tecnológico. Inimaginável para as pessoas de décadas passadas. Hoje uma moça de Belo Horizonte, minha conhecida da rede social me deixou perplexa. Falou que tinha se apaixonado, namorado e casado pela Internet. Com marido virtual, sexo virtual e tudo o mais de um casamento.Se meu chefe do Jornal estivesse vivo e ouvisse falar disto, por certo se assombraria. E eu poderia ganhar com certeza, um premio de ineditismo, da Associação brasileira de imprensa.


Internauta que sou, vejo a possibilidade das pessoas comprarem pela Internet. Estudarem em Universidades pela Internet. Pesquisarem. Se divertirem. Ouvir músicas. Ver filmes. Ler Jornais. Mas casar pela Internet é demais. Faria meu ex-chefe de Redação, ter um ataque do coração. ”Bota revolução de costumes nisto”! (Ana D´Avila)

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