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Morte de criança no Hospital Viamão expõe a crise financeira dos hospitais na prestação de serviços de saúde. Região Metropolitana enfrenta o caos com superlotação

Foto: Reprodução/https://www.cartacapital.com.br/

Menina com quase três anos, internada por causa do vírus Influenza, da gripe, precisava de UTI pediátrica que só estava disponível em Santa Rosa. Transporte aéreo não pôde realizar a transferência por causa do mau tempo e ela acabou morrendo

A imagem de um pai em desespero por ter perdido a filha de apenas dois anos e 11 meses, que estava internada no Hospital Viamão, que circulou nas redes sociais na noite desta quarta-feira, 28 de maio, causou comoção na comunidade e protestos quanto à qualidade da prestação dos serviços de saúde, no município. O problema, porém, não atinge somente Viamão e o único hospital da cidade, mas todos os hospitais públicos do Estado e, em especial, os da Região Metropolitana de Porto Alegre, sobrecarregados por conta dos casos de dengue e de pessoas com a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), entre outras patologias.

De acordo com informações obtidas pela reportagem do Diário de Viamão, a criança foi bem atendida no Hospital Viamão e já tinha um leito de UTI Pediátrica pronto para recebê-la. Porém, esse leito que poderia salvar a sua vida, estava distante 500 quilômetros de Viamão, na cidade de Santa Rosa. Ou seja, dependia de transporte aéreo – que até estava disponível – inviabilizado pelas severas condições climáticas da quarta-feira. As imagens das redes sociais mostram o pai, em desespero, na recepção da casa de saúde, chorando a perda da filha, e tentando ser acalmado pelos funcionários do hospital e agentes da Brigada Militar que foram até o local.

Tanto é fato a dificuldade financeira dos hospitais que inúmeras reuniões têm sido realizadas com o Governo do Estado, além de pedidos de mais verbas públicas encaminhadas ao Ministério da Saúde, do Governo Federal. O secretário da Saúde da Prefeitura de Porto Alegre, Fernando Ritter, comentou em suas fedes sociais, antes do episódio do falecimento da menina no Hospital Viamão, que a situação é de extrema dificuldade. “O Rio Grande do Sul está na UTI. E ninguém pode dizer que não foi avisado”, escreveu Ritter. “Há meses, estamos alertando: o sistema de saúde do Estado está à beira do colapso”, continuou.

Executivo

Nesta quinta-feira o prefeito de Viamão, Rafael Bortoletti (PSDB), e a secretária municipal da Saúde, enfermeira Michele Galvão, se manifestaram sobre o que aconteceu no Hospital Viamão, ambos também se solidarizando com a família. “Como mãe, profissional da saúde e mulher pública, me solidarizo com essa família e reafirmo meu compromisso de lutar por uma saúde pública que respeite vidas e ofereça dignidade a todos. Que essa dor não seja em vão. Que vire força para transformar”, escreveu a secretária. De acordo com Michele, a menina, de dois anos e 11 meses, faleceu em função do agravamento do quadro clínico causado pelo vírus Influenza.

A secretária afirma que “perdemos uma vida por conta da insuficiência hospitalar da Região Metropolitana. E não é possível que a gente se conforme ou ache normal ter que cruzar o Estado em busca de um leito ou do atendimento que é preciso”. Segundo Michele, é necessário, urgentemente, que os gestores do Estado e do Governo Federal adotem medidas urgentes, “para o inverno que está acontecendo agora e para a superlotação que já atinge todas as emergências do Estado. É preciso que a gente se mova na direção de que nenhuma vida mais seja perdida, mas que possamos usar toda nossa potência da rede de saúde, para ser qualificada e aumentar o número de leitos e para que vidas sejam salvas”.

O prefeito

Rafael Bortoletti, prefeito de Viamão, publicou uma manifestação dizendo que falava “como ser humano que presenciou uma das cenas mais tristes da cidade, de um pai que recém havia perdido a filha” no Hospital Viamão. Ele externou solidariedade à família e comentou que a situação da saúde pública da Região Metropolitana é extremamente grave. “Desde que assumi a Prefeitura em 1º de janeiro, e lá se vão cinco meses, esse é o meu maior desafio, com certeza o que me tira o sono. Eu assumi uma Prefeitura que devia R$ 750 mil para a maternidade do hospital, e no mesmo mês fiz todos os pagamentos, coloquei em dia”, contou.

De acordo com o relato do prefeito, no segundo mês ele criou o serviço de fiscalização dos serviços prestados no Hospital Viamão, motivado pelo grande número de reclamações recebidas. “De todo esse período de verificação e levantamento de dados recebi um relatório dizendo que, do jeito que estava, não tinha mais condições”, afirmou. Bortoletti lembrou que mandou abrir licitação para contratar nova administração para o hospital, e que segunda, dia 2 de junho, será anunciada a nova empresa que vai assumir a gestão administrativa do Hospital Viamão.

Ele foi além comentando sobre o financiamento dos serviços de saúde, dizendo que nos últimos anos os recursos destinados ao hospital da cidade foram reduzidos em mais de 50%, tanto do Governo Estadual quanto do Governo Federal. “A nossa saúde, municipal, que constitucionalmente deveria destinar 15% para custeio, hoje destina mais de 25% da arrecadação. Isso significa mais de R$ 60 milhões do que deveríamos destinar para manter a saúde no município. E, ainda assim, falta muito dinheiro”, enfatizou o chefe do Executivo viamonense.

“Já fui a Brasília junto com outros prefeitos tratar deste assunto, já fizemos cinco reuniões com o Governo do estado e a secretaria estadual da Saúde, e não vamos medir esforços para resolver o problema da prestação de serviços em saúde aqui na nossa cidade” – Rafael Bortoletti, prefeito de Viamão

Para saber

  • Influenza é uma infecção respiratória viral que causa febre, coriza, tosse, cefaleia e mal-estar. Mortalidade é possível durante epidemias, em particular entre pacientes de alto risco.

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