Todas as forças políticas de Viamão, seja ela de oposição, situação, direita, esquerda, centro, de um lado ou do avesso tem que concordar com uma coisa: a convenção do PSDB municipal na última semana foi antes de tudo, uma demonstração de força.
Depois de todo o desgaste que o partido passou nos últimos meses, com a saída do prefeito André Pacheco, fazendo inúmeras denúncias em rede estadual e a reprovação das contas do ex-prefeito Valdir Bonatto, os tucanos tinham dois possiveis caminhos para adotar na convenção: fingir que nada aconteceu ou fazer da obrigação legal um ato político. E assim, fez-se a luz. Com uma lona enorme fixada no maior painel do plenário Tapir Rocha, o PSDB deu o recado: "longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas".
Até o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Junior veio para a convenção, que escolheu os membros do diretório que vão comandar o partido. Vi a muvuca de longe no sábado, quando fui comprar pão no Rissul. Até escola de samba marcou presença. É claro que se ouviu muitos discursos inflamados no microfone, afinal o momento pede isso. O vereador Francinei Bonatto, ex-presidente da Câmara, fez um dos discursos mais eufóricos, com direito a transmissão ao vivo no Facebook.
A convenção é importante, mas a notícia vem agora: três dias depois de eleito, o novo diretório escolheu seu novo presidente. Geraldinho Filho.
Do lado de cá, a vista é bonita, a maré é boa de provar
Geraldinho Filho militou pelo Partido dos Trabalhadores, foi eleito suplente de deputado-federal pelo PSOL, chegando a assumir a cadeira por alguns meses no lugar de Luciana Genro até chegar no PSB, aquele da pombinha branca. Como pessebista concorreu algumas vezes a prefeito até trocar de vez e emborcar no PSDB ano passado, quando concorreu a deputado estadual pela legenda. Não se elegeu, mas mostrou para que veio: ser um dos mais importantes quadros do partido.
A aclamação de Geraldinho Filho como presidente do PSDB é um claro indício de que o novo presidente é na verdade o novo plano B da legenda para ser o candidato do ano que vem a prefeito de Viamão, agora que o ex-prefeito Valdir Bonatto está impedido de concorrer a qualquer cargo público pelos próximos oito anos.
É claro que o ex-prefeito deve recorrer da sessão na Câmara que reprovou suas contas, mas ter um nome como Geraldinho Filho como plano B não é nada mal.
A convenção do PSDB mostrou que o partido não vai abrir mão de lançar seu candidato no ano que vem, seja ele Bonatto, Geraldinho, Engenheiro Nilton, ou sabe-se lá quem mais pode se lançar até as convenções pré eleição. Tudo leva a crer que o cenário do ano que vem será a candidatura do PSDB e quem mais vier com ele versus André Pacheco, e quem ele conseguir manter até lá ao seu lado.
E a esquerda, Ferrari?
A única forma da esquerda ter alguma chance, mesmo que mínima, de incomodar ou sair vitoriosa será a união de PT, PSOL e PDT em torno de uma candidatura única. Será a eleição para ver se realmente o pessoal quer vencer a eleição, ou se continuar na oposição é mais confortável, afinal, entre bater e apanhar, eu pelo menos prefiro ficar com a primeira opção.





