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Quem é o tenente-coronel que assumiu o comando do 18º BPM, de Viamão, o que ele planeja e como vê a segurança da população. Oficial chegou em um momento de turbulência, mas garante: “a casa já está em ordem”

Tenente-coronel Endrigo assumiu comando da BM em Viamão no dia 16 de dezembro. Foto: Silvestre Silva Santos

Maior interação com a comunidade e a implantação de estratégias com o uso da tecnologia fazem parte dos planos de ação para manter os índices de criminalidade em patamares abaixo da média do estado

O peso das três estrelas, duas delas gemadas – quem é do meio militar sabe o significado! -, que carrega sobre os ombros, não envergam a estrutura do novo comandante do 18º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Viamão. Aos 44 anos (completa 45 em 28 de abril), casado há 15 anos e pai de um casal de filhos, o tenente-coronel Endrigo Silva Silveira assumiu a chefia da unidade em 16 de dezembro passado, com a missão de colocar em prática toda experiência adquirida ao longo do trabalho realizado em vários postos que ocupou na Brigada Militar, onde ingressou como aluno da Escola de Formação de Oficiais em 16 de fevereiro de 1980. Endrigo, seu nome “de guerra” na chapa de identificação, é oficial da “briosa” desde o ano 2000, e bacharel em Direito, formado na Fundação do Ministério Público, desde 2012.

Ele é da última turma que ingressou na academia de polícia tendo apenas o Ensino Médio, em 1997, mesmo ano em que um novo estatuto entrou em vigor, determinando que o aspirante ao oficialato da Brigada, para entrar na escola, deveria ter graduação de Ensino Superior. “Minha turma foi a última que entrou pelo modelo antigo. Por isso que entramos jovens. Eu saí do Ensino Médio do colégio da brigada e fui direto para a Academia de Polícia “, lembrou o tenente-coronel PM, promovido ao posto em 23 de dezembro de 2023. Workaholic assumido, ao ponto de descuidar da própria saúde confirme admite, afirma que uma das suas primeiras iniciativas em Viamão foi o de recuperar e elevar “o moral da tropa, que estava abalado pelos últimos acontecimentos”.

Do arquivo do DV: “Uma ação da Corregedoria da Brigada Militar, na tarde da sexta-feira, dia 29 de novembro, afastou o comandante do 18º Batalhão de Viamão e mais três oficiais. Embora os nomes não tenham sido divulgados pela Brigada, fontes ouvidas pelo Diário de Viamão confirmam o nome do tenente-coronel Marlon Carvalho da Silva como um dos afastados, assim como a apreensão de telefones e outros itens. A Corregedoria, por meio de uma nota, informou que a ação faz parte de investigação sobre improbidade administrativa. (…) O capitão Sérgio Gregory assume o 18º Batalhão, localizado na parada 36, ao lado da UPA Viamão”.

O oficial enfatiza que gosta de trabalhar em um ambiente colaborativo. “Valorizo muito o ambiente em que eu trabalho, e não faço para os outros o que não quero que façam para mim”, salienta. Quanto ao grupo que encontrou quando assumiu o comando em Viamão, há quase um mês, o tenente-coronel Endrigo diz que se trata de “uma tropa muito comprometida. Logo que cheguei eu pude conversar com toda a tropa, passar alguns de diretrizes de trabalho, o que eu penso sobre como trabalhar, enfim, é importante que todos possam me conhecer, e acho que foi um encontro muito bom”, contou.

Sobre a criminalidade, Endrigo garante que Viamão tem bons indicadores criminais em que pese a unidade não dispor de um efetivo elevado – de modo geral a BM tem hoje cerca de 60% do efetivo que dispunha no começo dos anos 90. “A gente tem uma tropa muito reativa no  que se refere ao policiamento que é a missão da Brigada, fazer o policiamento preventivo. O ideal é que não faça a prisão das pessoas por prender. Pode acontecer por conta da ação e reação, mas o ideal é que as coisas não ocorram, e essa é de fato a virada de chave que a Brigada acabou dando há alguns anos. Quando eu entrei na Brigada quando se fazia o contrário, a gente contava as reações, quantos presos nós tivemos, mas cada vez que eu tenho um preso é porque falhamos na prevenção”, comenta o comandante.

O que ele chama de “virada de chave” foi a criação do Programa Avante, em 2015 (leia sobre, abaixo). A Brigada começou a desenvolver ações preventivas que com o passar do tempo e a evolução do que estava planificado, se transformou no que é hoje o Programa RS Seguro. “É um projeto de larga escala e nível estadual, onde a gente começou a trabalhar na raiz dos problemas, com foco na prevenção. Hoje eu não estou preocupado se o seu prendi cinco ou 10, mas em não ter um crime sequer. O nosso indicador é se teve um homicídio, esse é um problema que não poderia ter acontecido. Mas eu prendi o criminoso que matou, tudo bem, mas a estatística que conta é que aconteceu homicídio, o fato de ter prendido é institucional, porque não deveria ter ocorrido o crime”, explicou.

Planos de ação – O tenente-coronel Endrigo diz que ainda está em “fase de observação” mas que, depois de quase um mês na cidade, já tem ideia de algumas estratégias que pretende colocar em prática para ampliar a prevenção e evitar a criminalidade. Isso passa pelo serviço de inteligência da própria BM – a P2, como é chamada internamente – e interação com outras forças como a Polícia Civil, Guarda Municipal, Guarda de Trânsito, e entidades da comunidade. Um dos focos é aumentar o policiamento e a segurança no meio rural, por meio de um cadastramento das propriedades – um georreferenciamento com localização por meio de GPS – e criação de um grupo de whatsapp específico, para agilizar a comunicação.

Na área urbana, o comandante quer se reunir com lideranças comunitárias para ouvir sugestões e estabelecer parcerias com a mesma finalidade: manter baixo os indicadores de crimes de homicídio, furto e roubo de veículos e assaltos, que são os crimes praticados com uso de armamento. A presença mais efetiva nas ruas, maior policiamento na periferia com ênfase nas áreas mais conflagradas a partir das informações da P2 e da interação com outras forças públicas, patrulhamento específico, como o comercial (grupo de whatsapp com empresariado), principalmente em ocasiões de maior movimento, para evitar furtos e roubos, são algumas das ações que o comandante do 18º BPM diz que vai – e já está – colocando em prática.

Por onde ele passou

  • Colégio Tiradentes – como aluno e, já oficial, como diretor-comandante
  • Como tenente, trabalhou no batalhão do CRPO da Serra, em Gramado e Canela, onde acabou sendo promovido a capitão
  • No retorno à capital, foi designado para o 21º BPM, da Restinga, Zona Sul de Porto Alegre, onde ficou cerca de um ano e meio
  • Dali, foi transferido para o Comando Ambiental da Brigada Militar, que tem o mesmo status de um CRPO e faz a coordenação de todas as ações do policiamento ambiental do estado
  • Ainda com a patente de capitão foi trabalhar no 17º BPM, em Gravataí, no apoio, porque o batalhão estava sem capitães, na ocasião
  • Cerca de seis meses depois foi designado para o Departamento Administrativo da BM, órgão que cuida, por exemplo, das questões de efetivo e designações
  • Ainda como capitão, acabou indicado, e assumiu, para secretariar o Comando-Geral da Brigada Militar, também em Porto Alegre
  • Já guardando promoção ao posto de major. Quando a portaria com a nova patente foi publicada, em fevereiro de 2018, Endrigo foi mais uma vez transferido, para o Departamento de Ensino da BM
  • Neste órgão ele ficou todo o período em que ocupou o posto de major, e durante o seu primeiro ano já como tenente-coronel, quando foi designado, em janeiro de 2020, subcomandante da escola de formação de soldados da Brigada, o popular “Colégio Tiradentes”
  • No final de 2024 abriu-se o que o oficial chamou de “porta”, e ele acabou sendo enviado para comandar o 18º BPM, com sede em Viamão, onde assumiu o posto no dia 16 de dezembro

A frase

“Eu fui muito bem recebido pelo, na ocasião, capitão Gregory, que agora é major. Uma coisa com a qual me preocupo muito é que ninguém fale mal da minha ‘empresa’. Protejo muito a minha ‘empresa’ e os meus ‘funcionários’. Não passo a mão se tem coisa errada, porque daí tem que apurar, mas eu entendo o valor da minha instituição, do significado que ela tem dentro do que está instituído como estado democrático de direito” – tenente-coronel Endrigo, comandante do 18º BPM, de Viamão

Para saber

  • O 18º Batalhão de Polícia Militar de Viamão faz parte do Comando Regional de Polícia Ostensiva (CRPO) do Delta do Jacuí
  • A sede desse comando fica em Alvorada e tem quatro batalhões sob sua jurisdição: o 24º BPM que fica em Alvorada mesmo; Viamão, sede do 18º BPM; Gravataí, onde fica o 17º BPM, o mais antigo); e o 26º batalhão, que fica em Cachoeirinha
  • Porto Alegre é a única cidade do Rio Grande do sul com comando próprio, porque é a capital. A cidade é fracionada em áreas, e essas áreas são os batalhões da Brigada Militar
  • O batalhão de uma cidade pode incorporar cidades menores. Por exemplo, Glorinha pertence a Gravataí, porque a sede é principal e tem acesso direto. Pela proximidade, ela acaba sendo subordinada à cidade maior
  • Algumas cidades do interior têm batalhões que englobam muitas unidades menores do seu entorno. Há casos de municípios-sede de um BPM com jurisdição sobre 10, 15, até 20 cidades de menor porte

Programa Avante

Para melhor atender as necessidades da sociedade, as organizações públicas necessitam estar em constante processo de aprimoramento, seja através do lançamento de novos serviços, da realização de modificações administrativas ou da implementação de melhorias operacionais. Devem ser estabelecidas diretrizes estratégicas para a Instituição, as quais guiarão suas ações de longo prazo visando a melhoria dos serviços prestados à sociedade.

Contexto no qual também é necessária uma metodologia estruturada para possibilitar que sejam priorizadas as necessidades mais latentes e, consequentemente, sejam definidos os resultados a serem alcançados, criando-se uma cultura de gestão.

Um trabalho no qual a Brigada Militar vem se reinventando, valendo-se da estratégia organizacional e da gestão de seus processos como base para sua evolução.

Tendo como chave para alcançar seus objetivos o “Programa Avante” que possui como pilares a gestão por resultados, a reestruturação dos processos e a maturidade na gestão de projetos estratégicos, o compartilhamento de boas práticas e a valorização profissional, através do reconhecimento dos efetivos e da ampliação do processo de aprendizado organizacional:

1. Gestão por Resultados: Trata-se de um processo estruturado que envolve todos os Integrantes da Corporação, tendo como fim o cumprimento das metas e os resultados necessários ao seu crescimento institucional. Um trabalho organizado através do qual acompanhamos ações e indicadores por todas as Áreas da Instituição, transformando-se estratégias em resultados.

2. Projetos e Processos: Na reestruturação dos processos buscamos a melhoria dos procedimentos relacionados à qualificação e o crescimento das pessoas, as estruturas e a tecnologia, visando aprimorar o aprendizado organizacional e a melhoria contínua. Tal como já foi alcançado no processo de compras e atualmente se almeja para o atendimento do fone 190. Um trabalho através do qual também se busca o fortalecimento da cultura da gestão de projetos alinhados às diretrizes estratégicas da Instituição.

3. Boas Práticas: O compartilhamento de iniciativas bem-sucedidas visa auxiliar a Instituição no processo de conhecimento, aprendizagem e reprodução das melhores práticas já utilizadas e as quais ainda podem ser aprofundadas e melhoradas. Um processo no qual também se valoriza e estimula a inovação. 4. Valorização Profissional: Fundamentado nos pilares anteriores, encontra-se a valorização dos Policiais Militares e o reconhecimento das equipes de trabalho. Seus desafios e suas conquistas. O bem-estar e a satisfação através de iniciativas de reconhecimento e de melhoria da qualidade de vida dos Servidores, dentro e fora do ambiente de trabalho.

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