Sentada em seu quarto quente ela acendeu um cigarro. Sabia que o fumo fazia mal para a saúde. Mas queria usufruir da fumaça. Queria suspirar e deixar a vida a levar para outras paragens. Que não as normais. As loucas talvez.
Na rua um ar de verão fazia todo mundo correr para o mar. Que estava bem próximo. Os corpos faziam um carreirinho tal qual as formigas fazem em disparadas curtas. Cada um tinha roupas de banho diferentes. Eram muito coloridas.
Depois com os cabelos desgrenhados atravessavam a praça e se enfiavam em seus apartamentos. Cabelo molhado de sal do mar endurece. E eles estavam endurecidos. Lá dentro, em seus banheiros haveria água doce para lubrificalos.
Um homem bonito, de cabelos grisalhos estava sentado em frente a sua asa. Num pequeno jardinzinho e pensava em sua juventude. Saudadeava seus dias de prancha e de mar. Não estava feliz agora. As lembranças não lhe faziam bem.
Pega seu copo de cerveja e bebe. Olha para longe e, lá está o objeto de suas lembranças, o mar. Ondas turbulentas o faz pensar na violência do mar gaúcho. E como na juventude, ele e um grupo de amigos, quase voavam dentro dele om suas pranchas coloridas. Lembra da mãe em desespero, querendo que ele rapidamente saísse do mar. Ele fiava. Ele se deliciava. E deixar o mar só bem de tardezinha quando suas mãos e pés já estavam dormentes da água salgada.
A mulher do cigarro do quarto quente ainda está lá. Agora apaixonada pela praia de areia fina e encantada om as estórias do surfista. Que um dia também fumou.
Um cigarro mais potente, fazendo-o adentrar no portal mágico. E só saindo dele quando não existisse mais desejos. Nem amor. Nem lembranças do passado. Ele tinha mais de sessenta anos. A mãe, oitenta. Doces lembranças povoavam sua cabeça branca. E, era um sábado atrevido. Desses que a vida proporciona só aos insanos. (Ana D´avila)





