Fico assim sem você

Há 16 anos, os MC’s Claudinho e Buchecha lançavam a música chamada “Fico assim sem você”. Uma composição para falar de amor, de carinho e de companheirismo. Um grande sucesso cantado e interpretado por grandes nomes da música brasileira. Minha memória de canceriana me faz lembrar nitidamente da primeira vez que ouvi a canção: era um sábado, estava em casa assistindo ao programa Criança Esperança da Rede Globo. Buchecha entrava sozinho no palco para apresentar a música pela primeira vez. O companheiro de composições e de palco havia falecido em um acidente de trânsito, há exatos um mês antes do programa ir ao ar... A música tão bela se transformou em um hino de saudade.

Eu, com 9 anos de idade, perdi o meu avô materno naquele dia. Naquela noite fria de agosto.

Adorava pegar escondido da minha irmã os cd’s da dupla. Sabia todas as músicas e, principalmente, as coreografias, mas eu não imaginava que ficaria tão triste ao ouvir uma canção deles. Cada frase é uma despedida. Uma vontade enorme de correr para um abraço. De contar as horas para ver aquela pessoa novamente.

Meu avô faleceu muito doente. Já tinha perdido a voz e os movimentos dos membros do lado direito. Mas era tão bom ir visitá-lo! Era uma festa espalhar todos os discos de vinil na mesa da garagem e ouvir com ele os LPs do Porca Véia. Melhor ainda era ver a emoção dele em um jogo do Grêmio ou em uma copa do mundo. Antes de deixar a doença tomar conta, ele escondia os ninhos da páscoa, me ensinava a cantar o hino do Grêmio, contava piada e me chamava de “Nanaco” enquanto eu achava que podia voar de braços abertos.

Há 6 anos, tive a presença dele nos meus sonhos. Estava bem, saudável e pediu para pegar um sorvete para nós. Eu, uma criança, sorri e saí correndo para buscar o melhor sabor. Na volta, as malas já estavam prontas para mais uma partida.

No último dia 8 de junho, ele completaria 82 anos se estivesse fisicamente vivo entre nós. Este texto é uma homenagem a todos os avós que deixam saudades e belas lembranças em nossos corações.

E sim, eu ainda acho que o Claudinho e o Buchecha escreveram essa música para nós, Vô Enio!

 

 

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