Prefeito não precisa pegar motosserra, vereador não tem que entregar telha; O furacão Nana Gouvêa

Prefeito não precisa pegar em motosserra, vereador não tem que trepar em árvore – muito menos entregar telhas – e passageiro não tem que arriscar a vida subindo em cima de ônibus para cortar fios.

São algumas das coisas que vi nas redes sociais, como atos de heroísmo, após a trágica tempestade que varreu a região metropolitana.

Pode até render cliques e votos, mas reputo não é a mensagem correta.

Alguns políticos me lembraram a Nana Gouvêa, aquela atriz brasileira que fez um ensaio fotográfico sobre escombros do furacão Sandy, em Nova Iorque.

Os gestores tem de verificar presencialmente os problemas da comunidade, claro.

Mas a obrigação primeira é organizar equipes, arranjar orçamento, acionar meios legais para cobrar concessionárias de luz e água e buscar soluções para mitigar problemas futuros.

Também entendo que vereadores não deveriam estar entregando telhas junto a equipes de governo.

Constrange os necessitados que não votaram e não querem votar nos cujos.

E, salvo melhor juízo, acredito possa até dar problema legal no ano eleitoral.

Hoje todo mundo tem um celular para filmar e enviar ao Ministério Público conversas atravessadas.

Mas talvez seja eu o errado, o chato, escrevendo sentadinho na frente de um teclado, agarrado a um dos princípios do Direito Administrativo, a Impessoalidade.

Ah, mas você não vai criticar aqueles que não fazem nada? Aqueles que nada fazem, com ou sem EPIs, nada fazem. Ponto.

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