Quando o poeta Mario Quintana na década de 70, circulava pelo centro de Porto Alegre jamais poderia imaginar o caos.Em suas veias só existia poesia. E as águas barrentas do Guaíba nem assombravam sua existência na bucólica Porto Alegre de seus amores e versos.Hoje não temos poeta. Só chuvas.Quintana se foi e o Guaíba é só um caldo marron invadindo a cidade.Mário Quintana viveu a enchente de 1941.E agora observa o incalculável desde sua estátua na Praça da Alfandega a invasão do Rio pelas ruas que ele tanto amava.Ele jamais imaginaria tamanha desgraça. Com gente sofrendo, muitos óbitos, perdas materiais e tantas vidas destruídas.

Lembrando versos idos,escreveu ele:”Sinto uma dor infinita das ruas de Porto Alegre,onde jamais passarei.Olho o mapa da cidade,como quem examinasse a anatomia de um corpo. E nem que fosse o meu corpo .Há tanta esquina esquisita, tanta nuança de paredes há tanta moça bonita, nas ruas que não andei”.
Neste sábado, 17 de maio, as águas da enchente baixaram. A estátua do poeta está lá na Praça da Alfandega. Salpicada de barro lembrando a tragédia da chuva.Quintana nem poetando imaginaria este fato. Agora, equipes da limpeza pública e reconstrutores atuam para que Porto Alegre volte ao normal. O poeta ficaria triste e estarrecido com a fúria das águas do Rio, que lhe serviram de inspiração. E que ele, tanto amava. (Ana D´Avila)





