Aquela sensação de insanidade a rondava. Sempre. Desde seu nascimento. E não foi diferente em suas escolhas. Escolheu o curso mais louco e a faculdade mais atrevida para colar grau. Famecos, Jornalismo na PUC.
E o namorado mais insano para trocar beijos e abraços. Nada foi diferente. E desde a infância o anticonvencional a atraía. Porque disto? Carência afetiva ou um tombo de bicicleta. Não havia definição para o caso.
Até que num dia de agosto, mês de cachorro louco, encontrou alguém muito especial. Ele tinha passagem pelo Hospício São Pedro. Algo muito comovente e, acima de tudo, com conteúdo.
Era um louco pensador. Homem de esquerda, de ideias libertárias e estupidamente insano. Não sabia o que fazer da vida. Tudo que queria era escrever, conhecer pessoas inteligentes e se deliciar no Bar da Adelaide. Uma dona de bar que o conheceu de perto. Ali ouvia música dor de cotovelo e bebia. Muito. Até ser retirado do bar, à noite. Carregado.
Casou cedo e tudo que fazia na existência, era filhos. Sete. Seis do primeiro casamento e outra do enlace com a doida que adorava relacionar-se com a insanidade. A boemia tomou conta do casal. Quase todas as noites saíam para a noite de Porto Alegre. Curtiam desde tangos até barzinhos de gente da noite.
Conheceu muita gente amigos dele, inclusive os colegas do hospício. De cantores, conheceu o Túlio Piva que, numa noite de samba, saudou o casal no Bar da Adelaide. Para todos dedicou a música de sua autoria, “Gente da Noite”.
Já morando juntos e estabelecendo uma relação prá lá de louca, numa madrugada, de volta prá casa, pegaram um táxi. Do centro de Porto Alegre até Petrópolis, onde se estabeleceram.
Abriu a porta do táxi e gentilmente deu um boa noite para a companheira. Que no elevador do prédio pensou: “Ué mas não moramos juntos. Para onde ele foi em continuação à corrida”.
Havia ido à uma saideira num outro bar da Protásio Alves. Desnecessário dizer que depois de meia hora ele voltou trançando as pernas de tanto álcool ingerido. E ela amou a loucura. Só não gostou muito da bebedeira quase incurável do companheiro, fiel à Che Guevara e amante dos etílicos.





