Diário de Bordo (3) - Aprendizados na estrada: o Uruguai que nos acolheu

Fotos: Arquivo pessoal/Divulgação

Depois de tantos meses de planejamento e de um início emocionante no Forte de Santa Teresa, no Uruguai, seguimos viagem. Não era nossa primeira vez no País, mas com certeza era a mais especial. Pela primeira vez, estávamos ali com nossa casa nas costas, literalmente.

Apesar de termos visitado o Uruguai outras duas vezes, tudo parecia novo. Agora, o olhar era diferente.

Tínhamos, sim, vários pontos salvos para conhecer, mas à medida que nos aproximávamos de cada cidade, íamos pesquisando mais a fundo, descobrindo o que havia por perto, o que valia a pena conhecer, onde poderíamos parar. A estrada nos convidava a viver o presente, e nós aceitamos o convite.

A primeira impressão do País não poderia ter sido melhor: um povo simples, acolhedor, com raízes fortes e uma gentileza que tocou nosso coração. Nos sentimos em casa. Cada cidadezinha tinha seu charme, sua praça principal, seu ritmo tranquilo e uma beleza particular.

Claro que nem tudo são flores. Logo nos primeiros dias, ao sairmos do camping do Forte de Santa Teresa, cometemos nosso primeiro "erro técnico".

Esquecemos a mangueira de descarte das águas conectada no ônibus e passamos por cima dela. O resultado foi que ficamos com uma mangueira bem mais curta, o que nos limitava em algumas situações. Na hora bateu um desespero, mas hoje rimos só de lembrar.

A Manu, com sua leveza de criança, se adaptou com facilidade. Apesar do idioma diferente, ela brincava com as crianças como se todos falassem a mesma língua. Era bonito de ver. Para ela, tudo era uma descoberta: o ônibus, os lugares novos, as pracinhas, os bichinhos soltos pelo parque. Cada parada era uma nova aventura.

Os maiores desafios foram entender, na prática, que água e energia não são infinitas.

Tínhamos que aprender a dosar, observar o consumo, repensar hábitos. E, para completar, ainda estávamos sem Starlink. O Douglas, que precisa de internet para trabalhar, penava com o sinal fraco em algumas regiões. Mas, aos poucos, fomos ajustando tudo.

Nos encantamos por muitos lugares, mas La Paloma ficou marcada no coração. Estacionamos bem na beira da praia, em um local gratuito e pertinho de tudo. Foi ali que sentimos, pela primeira vez, o impacto que nossa história causava nas pessoas.

Uruguaios curiosos se aproximavam, queriam saber de onde éramos, como construímos o ônibus, para onde estávamos indo. Nos abraçavam com palavras e olhares. Tinha uma pracinha por ali onde levamos a Manu várias vezes. Foi especial demais.

Aos poucos, fomos entendendo que, na estrada, estávamos só nós três. E que isso era suficiente.

Percebemos que éramos o apoio um do outro: casal, pais, amigos, companheiros de sonho. A relação ficou mais forte, mais intensa, mais verdadeira. A casa sobre rodas que havíamos construído com tanto amor, começava a se mostrar também como nosso porto seguro.

Dormir e acordar a cada dia em um lugar diferente era mágico.

Ainda assim, sentíamos falta dos nossos fiéis companheiros, Byron e Obama, que haviam ficado temporariamente com a família no Brasil. A decisão de deixá-los não foi fácil, mas sabíamos que era a melhor forma de garantir o bem-estar deles naquele começo de adaptação. A saudade, no entanto, era constante.

Ao longo do trajeto, passamos por lugares incríveis: La Coronilla, Cabo Polônio, Punta del Este com sua vibe leve e animada (onde reencontramos amigos queridos), a charmosa Montevidéu e, por fim, Colônia del Sacramento, com seu pôr do sol inesquecível.

Sentamos em um barzinho, comemos uma pizza e brindamos à vida com a certeza de que estávamos no caminho certo.

A estrada começava a nos ensinar muito mais do que imaginávamos. E estávamos só no começo.

No próximo capítulo, conto como foi cruzar a fronteira para a Argentina, nossas primeiras impressões, a chegada a Buenos Aires e a alegria de receber visitas queridas em plena jornada.

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