esquisadores do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul anunciaram um avanço científico que pode transformar a forma como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é identificado. Cientistas identificaram uma molécula de RNA circular — batizada de ciRS-7 — que demonstra potencial para ser um biomarcador biológico capaz de sinalizar o autismo antes dos sintomas comportamentais clássicos, referenciais atualmente usados nos diagnósticos clínicos.
A descoberta, obtida inicialmente em modelos animais, revela que níveis da molécula ciRS-7 foram consistentemente mais altos em indivíduos com características comportamentais análogas às observadas no autismo. Diferentemente do RNA mensageiro convencional, essa molécula apresenta uma estrutura circular, o que a torna extremamente estável e resistente à degradação no organismo — uma qualidade que a torna especialmente promissora como indicador detectável em fluidos biológicos como o sangue ou a saliva.
Hoje, o diagnóstico de TEA depende majoritariamente de avaliações clínicas e observações comportamentais, um método que só se torna confiável após o desenvolvimento de sinais visíveis e muitas vezes só ocorre após os dois anos de idade. A identificação de um marcador biológico objetivo pode encurtar esse processo, permitindo diagnósticos mais precoces e precisos, com potencial impacto direto sobre intervenções terapêuticas e suporte ao desenvolvimento infantil.
O estudo, conduzido dentro do Laboratório de Psiquiatria Molecular do HCPA como parte de teses e dissertações do programa de pós-graduação em Neurociências da UFRGS, agora entra em uma nova fase: a análise de amostras humanas. A equipe pretende confirmar se o padrão de ciRS-7 observado em animais também se manifesta em pessoas com TEA e se é suficientemente específico para distinguir o autismo de outros transtornos neurológicos.
Apesar do otimismo, os pesquisadores ressaltam que ainda há um longo caminho até que um exame clínico baseado nesta descoberta esteja disponível. Serão necessários testes em grande escala com amostras humanas e estudos adicionais para validar a eficácia dos marcadores e sua capacidade de diferenciar o TEA de outras condições neurológicas.
A descoberta representa um passo significativo na fronteira da pesquisa sobre autismo, sinalizando que caminhos moleculares e biológicos podem, no futuro, complementar — ou até redefinir — as abordagens diagnósticas vigentes hoje.





