Sentados amigavelmente um diante do outro na cobertura do Quiosque, o casal se enternecia. Olhavam o mar, os surfistas atrevidos e as mulheres de shortinhos coloridos. Tinham desacertos e rivalidades incompreensíveis. Ele, ex-surfista, com diploma de administração de empresas. Ela gaúcha da capital formada em psicologia pela Puc do Rio Grande do Sul.
Participaram nos anos 70 da revolução frenética do rock-and-roll. A música, som mecânico ali no Quiosque era exuberante. Suas lembranças também. Ele gesticulava e batia com as mãos na pequena mesinha que decorava o ambiente. Ela sorria, como uma saudosa senhora hoje na faixa dos 70 anos.
A conversa seguia solta sobre o tempo que passou. Na praia um vento vindo do nordeste revirava cabelos. Dentro do mar, três surfistas faziam manobras arriscadas navegando no ar de abril. As cordas amarradas nos tornozelos guardam pequenas sequelas na pele bronzeada de quem já completou sessenta anos de idade. Arranhões nos pés descalços da vida esportiva.
A paisagem de cima do quiosque mostrava os guarda-sóis na praia. Agora em abril ,solitários desnudos e vazios. As pessoas foram embora e eles apenas balançam com o vento frio. Figuras exóticas seguiam em fila indiana. Pareciam formigas.
Mas eram visitantes da praia .Um velho pescador com suas carretilhas cruza o aminho. Segura uma maleta cinza, mas não se define o que tem dentro dela. Muitos peixes pescados ou pequenas iscas. Um casal surge no horizonte portando uma cuia de chimarrão aos goles do vento em abril.
Uma senhora de blusinha poá lança um olhar para um grisalho falante. Talvez estivesse carente a procura de um ombro amigo. Mas nem todo parceiro é amigo. Nem todo homem é fiel. Os guarda-sóis de abril enfileirados ficaram na areia da praia.
Fincados e apagados. Ninguém os compartilhou. Agora é esperar o inverno no qual os guarda-sóis além de enfileirados estarão provavelmente molhados de chuva de algum ciclone do “El nino”. Que atrevidamente, sempre chegará. (Ana D´Avila)





