“Nós temos o direito de ser felizes”: Laura Sito homenageia 393 mulheres negras e transforma medalha Preta Roza em ato de memória e resistência

A deputada estadual Laura Sito (PT) homenageou 393 mulheres negras de 72 municípios gaúchos durante a entrega da Medalha Preta Roza, realizada no sábado (13), no Centro de Eventos da Igreja Pompeia. A cerimônia reuniu lideranças comunitárias, profissionais de diferentes áreas e representantes de movimentos sociais em um dos maiores atos de reconhecimento ao protagonismo feminino negro promovidos no Estado.

A honraria, criada para valorizar mulheres que atuam em áreas como política, educação, cultura, saúde, segurança pública, assistência social e movimentos comunitários, consolidou-se como um instrumento de visibilidade para lideranças que desenvolvem trabalho de impacto em suas comunidades.

Durante o evento, Laura Sito destacou a importância de celebrar conquistas em meio aos desafios enfrentados pelas mulheres negras.

“Falar sobre felicidade para nós é um grande privilégio. A realidade que é tão dura para cada uma de nós nos impede diariamente de brindar as nossas pequenas vitórias. Este é um momento para falarmos sobre os momentos de felicidade, onde nós podemos brindar o nosso bem-viver”, afirmou a parlamentar.

Ao dirigir-se às homenageadas, a deputada também evocou o conceito africano de Sankofa, que representa a necessidade de revisitar o passado para compreender o presente e construir o futuro.

“Nós somos porque somos todas juntas, e nós vamos brindar juntas cada vitória que cada uma de nós tiver”, declarou.

A cerimônia contou ainda com a presença da ex-deputada federal e pré-candidata ao Senado Manuela D’Ávila, que destacou o papel das mulheres nos espaços de decisão e a necessidade de reconhecimento do trabalho realizado cotidianamente por milhares de brasileiras.

“Os homens se orgulham de fazer pontes, viadutos, grandes estradas. E um dia eu olhei para isso e pensei: eles acham que cuidam de tudo o que é mais importante e eles não cuidam de nada que é vivo”, afirmou.

Manuela também ressaltou as desigualdades enfrentadas pelas mulheres negras e defendeu o fortalecimento das políticas públicas de proteção e inclusão.

Resgate da história de Preta Roza

Um dos momentos mais simbólicos da programação foi o lançamento da cartilha “Preta Roza”, publicação que resgata a trajetória da mulher negra que dá nome à medalha.

Figura histórica da resistência negra no Rio Grande do Sul, Preta Roza atuou no Quilombo de Manoel Padeiro, na década de 1830, e é lembrada como uma combatente armada contra o sistema escravocrata.

A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre sua trajetória e preencher lacunas históricas relacionadas à participação das mulheres negras nos processos de resistência e luta por liberdade no Estado.

Durante o encontro também foi realizada a leitura do manifesto “Por Mulheres Vivas”, documento que defende o enfrentamento das desigualdades de gênero, raça e classe.

O texto pede ampliação de investimentos em saúde, educação, moradia e trabalho digno, além de reforçar a necessidade de políticas públicas voltadas ao combate à violência contra as mulheres e à ampliação da participação política das mulheres negras.

Segundo as organizadoras, o manifesto representa um chamado à construção de uma sociedade mais justa e à valorização das mulheres que sustentam comunidades, organizações sociais e iniciativas de transformação em todas as regiões do Rio Grande do Sul.

Homenagem marcada pela emoção

A cerimônia também foi marcada por um momento de homenagem à militante Vera Rosa, lembrada com emoção pelas participantes.

Companheira histórica de lutas sociais e referência para o movimento de mulheres negras, Vera foi homenageada por sua trajetória de dedicação à defesa da saúde, do cuidado coletivo e dos direitos humanos.

Sua memória foi evocada como símbolo de resistência, solidariedade e compromisso com as causas que marcaram sua vida.

Ao final do evento, a entrega da Medalha Preta Roza reafirmou o reconhecimento ao trabalho desenvolvido por centenas de mulheres negras gaúchas e reforçou a importância da memória, da representatividade e da participação feminina na construção de políticas públicas e de uma sociedade mais igualitária.

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