A alma do negócio

por Leandro Melo

Toda a empresa tem "seus particulares" e às vezes parece buscar formas um pouco equivocadas de fazê-los valer. Claro que por trás dessas organizações do Mundo do Trabalho existem pessoas com ideias e intenções e ao desenhar o esquema de funcionamento do negócio, algumas manobras podem ser bruscas demais, desajeitadas demais e quebrar peças importantes.

Todos nos portamos e agimos de forma distinta em muitos ambientes e quando inseridos em determinados grupos sociais. Aliás, o entendimento total de quem realmente somos e do que buscamos, geralmente, resulta incompleto, mesmo lá no fim da caminhada pela vida. Somos múltiplos e uma eterna construção.

Filosofias a parte, ter clareza dessa incompletude já ajuda a reduzir o estresse de ter que acertar sempre e podemos creditar isso à mentalidade trazida pela cultura da Internet e ao comportamento das gerações digitais. Mas é importante ver que não apenas cores diferentes pintam o quadro do cotidiano. Há muitos tons assemelhados e sobrepostos. Afinal, as narrativas distintas entre o Mundo do Trabalho e a Vida Real tem o mesmíssimo personagem, que se desdobra entre um e outro universo, sem cinismo, mas se adaptando ao que aprende, vê e vive, em cada lugar. Somos nós, no melhor que podemos fazer todos os dias.

Agora, pesam sim muitas diferenças. Conheço um cara que daria a unha do dedo mindinho para trabalhar todo dia de bombacha e alpargata. O problema é que, no Mundo do Trabalho, atender contas milionárias de um grande banco ainda não combina muito com esse código de vestimenta. Por isso, dá-lhe terno e gravata e deixa o estilo campeiro pra mateada do final de semana.

E assim a gente segue entre dúvidas e vontades, entre a pontualidade de segunda a sexta e a horinha a mais de sono no sábado de manhã. Feliz da vida, nos mundos que temos que viver, enquanto estamos vivendo.

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