A palavra navegava no texto daquela escritora do mar. De sua janela avistava ondas e maresias. De sua janela via passantes rápidos em busca de sol e descanso. Traçou um texto sobre o pensar da palavra. Era como um bálsamo azul numa época cinza. As ondas eram muitas e envolvidas no vento do verão, atravessavam as pessoas e os pensamentos. Ondas geram ondas. E ondas são magnéticas. Ela escrevia. Entre um café bem forte e uma água geladinha.
A mulher amargurada cruza o jardim e a rua que parece não ter fim. Avista flores de verão. As hortênsias estão murchando pelo calor excessivo, mas as pequeninas florzinhas estão ali, amarelinhas e ao alcance de suas mãos. Ela pede licença à natureza e a arranca do galho fininho. Agora a flor lhe pertence.
Os peixinhos eram minúsculos. Saltitavam em cardumes à frente do surfista. Que, muito dentro do mar, se dedicava neste dia a remar. Os peixinhos pareciam saudá-lo. Ele que já havia nadado e surfado em tantos mares brasileiros. Mas que, neste dia, parecia receber um prêmio dos serzinhos do mar. Ali dentro tudo era uma festa. Sua prancha verde parecia levá-lo para um mundo mágico. De vida marítima. De encantamento.
A palavra, ah a palavra. Estava na cabeça da escritora. Em páginas escritas e devoradas pela maresia. Que sempre danifica seu computador. Mas que são absolutamente necessárias para a conclusão de seus textos. Sem elas, o mundo fica opaco, surdo e cego. Palavra é gesto. Palavra é expressão.





