A tarefa de dizer porque migrou do PT para o PDT

Caçapavano Dédo Machado mora em Viamão desde os oito anos - Silvestre Silva Santos/DV

"Nós pensamos e estamos apresentando um plano de governo que seja viável, que tem 12 propostas exequíveis"

 

O vereador Ederson Machado dos Santos, popularmente conhecido como Dédo Machado, é vereador desde 2004. Está concluindo, neste ano, seu terceiro mandato legislativo. Desde 1994, porém, esteve filiado ao PT, o Partido dos Trabalhadores. Foram 22 anos de militância na sigla comandada nacionalmente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, ele o candidato à vice Robinson Duarte de Souza, o Robson, outro ex-petista, concorrem ao Executivo viamonense pelo Partido Democrático Trabalhista, o PDT. 

Na realidade Dédo voltou ao primeiro partido ao qual esteve filiado logo que iniciou sua vida política em Viamão, lá no começo dos anos 90. Ele não comenta publicamente, mas foi a falta de espaço e apoio à uma candidatura sua pelo PT que obrigou-o a migrar para a sigla que teve como ícone maior o ex-governador dos gaúchos, Leonel de Moura Brizolla. Dédo garante que vê como normal esta mudança do PT para o PDT, muito embora, na campanha, esteja batendo forte nas administrações petistas dos últimos 16 anos.
—  Nós somos de uma origem política de esquerda, tanto eu quanto o Robson. Construímos nossa formação política voltados para as classes sociais mais carentes, forjados na luta travada nos campos de esquerda. Não temos dificuldades em dizer que saímos do PT porque continuamos no campo de esquerda, num partido que é um ‘veio’ muito forte do trabalhismo de esquerda, que é o PDT —  afirma.
Segundo Dédo Machado, seria surpresa, para os eleitores, se ele e seu candidato a vice tivessem migrado do PT para uma sigla que não tivesse vinculação com a esquerda. Ele admite que acabou se filiando ao PDT por influência de Robson, que atravessou antes a ponte entre as duas siglas. Robson, por sinal, que já concorreu a prefeito pelo Partido dos Trabalhadores, quando obteve mais de 39 mil votos, foi cooptado por Dédo para ser candidato a vice, uma forma de retribuição pelo convite para que o vereador assinasse com os trabalhistas.
Dédo se apoia no nome do vice pelo histórico que Robson tem na esfera do Executivo. Nas administrações petistas ele comandou diversas secretarias da Prefeitura.
—  Cada vez que uma secretaria estava em apuros o Robson era chamado para ir consertar, organizar e fazer funcionar novamente. E ele passou por seis secretarias ao longo desse tempo de administração do PT —  elogia o candidato majoritário.
—  Entramos no PT pela porta da frente, eu e o Robson, e também saímos pela porta da frente. Não há nada que possa manchar nossos currículos enquanto militantes partidários. Tanto que ainda defendo as políticas públicas só que achei oportuno, agora, construir este novo caminho.

 

A oposição dividida pode dificultar?

 

Estar ao lado de pelo menos mais quatro  candidatos oposicionistas ao governo de Valdir Bonatto e, por consequência, à candidatura do atual vice André Pacheco ao cargo de prefeito, pode sim, na opinião de Dédo Machado, ser um obstáculo às pretensões dos trabalhistas de chegarem ao poder em Viamão. Ele admite que, como vereador e presidente do Legislativo, trabalhou para formar um bloco oposicionista visando fazer frente ao atual governo.
—  Mas é muito complicado montar um bloco de oposição por causa da vaidade pessoal se sobrepõe às necessidades daquilo que entendemos como um projeto para a cidade e não para pessoas. Não tenho dúvidas que a ânsia de chegar ao poder fez com que a oposição se dividisse. Quem está no podera acaba sendo sempre favorecido pela máquina, mas estamos nesta disputa proponto um contraponto ao que está aí.

 

"Na área da saúde pública, já temos sugestões de aplicativos capazes de melhorar e agilizar o atendimento acabando com as filas. Hoje, no momento em que as pessoas precisam de mais carinho é, justamente, quando não encontra esta atenção"

 

“Estamos propondo um plano de governo que seja viável”

 

O candidato pedetista à Prefeitura de Viamão, Dédo Machado, garante que a proposta que está levando ao eleitorado de Viamão, nesta campanha, é de um plano de governo que seja viável.
— Eu e o Robson elencamos 12 propostas que estamos apresentando para a cidade. Uma das ideias iniciais, e já assegurei isso para o meu vice, é que eu não quero ser um prefeito isolado. Vou repartir a responsabilidade da administração com ele e posso  garantir aos eleitores que estejam dispostos a acreditar na nossa candidatura, é que eu e o Robson vamos ser dois prefeitos, ao invés de um. Vamos ter duas canetas, eu com uma caneta com a metade da tinta e ele com outra caneta, com a outra metade da tinta.
Dédo garante que este vai ser seu modo de governar.
— É assim que vamos fazer uma gestão eficiente, com compartilhamento.
As propostas relacionadas para alavancar a candidatura pedetista têm o dedo do proprio candidato, do vice e do grupo de trabalho e do comando da sigla no município. Elas envolvem questões de desenvolvimento econômico, mobilidade urbana e infraestrutura.
— Estamos colocando em prática todo o conhecimento adquirido durante os quatro anos em que estive na secretaria de Obras fazendo parte do governo do estado, particularmente na Metroplan. Foi um governo que ajudou a transformar o Rio Grande do Sul e ajudou muito nossa cidade. Foi a primeira gestão estadual em que Viamão foi contemplada com tantos recursos — garante o candidato.

 

"Na questão de educação, que é a base de tudo, vamos melhorar os espaços para que sejam mais aprazíveis e investir para que nossas crianças, os alunos, tenham uma educação realmente de melhor qualidade"

 

“Precisamos cuidar mais do turismo e do meio ambiente”

 

A indústria do turismo não foi esquecida pelo candidato Dédo Machado na conversa que teve com o Diário de Viamão. O foco dele, para este setor, está diretamente ligado à Itapuã, que tem, segundo ele, 102 quilômetros de costa banhada por água doce. 
— Precisamos ter um cuidado especial e investir em Itapuã, que tem um potencial turístico muito grande e não perde para lugar nenhum. Queremos e vamos explorar isso, trabalhando para atrair investimentos que promovam o crescimento e desenvolvimento da área do turismo — disse Dédo.
Com relação à área urbana propriamente dita, o candidato do PDT à prefeitura de Viamão prega a necessidade de a comunidade desfrutar de uma cidade sustentável. Ele se refere principalmente aos espaços verdes que existem em vários pontos e que, garante, precisam ser preservados a todo custo.

MÁQUINA PÚBLICA

Outra preocupação dos candidatos majoritários do PDT está relacionada ao funcionalismo. Dédo se refere à modernização da máquina pública como uma necessidade para melhorar o atendimento e os serviços prestados à população. 
Essa modernização tem como alvo, também, os investidores que chegam ao município e que precisam ter soluções ágeis em suas demandas. O empreendedor, segundo Dédo, precisa ser atendido por técnicos qualificados e ficarem convictos de que a prefeitura quer tê-los no município.

 

"Vou repartir a responsabilidade da administração com ele (Robson) e posso garantir aos eleitores que estejam dispostos a acreditar na nossa candidatura, é que eu e o Robson vamos ser dois prefeitos, ao invés de um"

 

“Nós vamos promover a integração da cidade com o campo”

O candidato Dédo Machado prega, como uma das alternativas para Viamão, a união entre a cidade e o meio rural, dada a vocação do município para com a agricultura e pecuária.
— Temos um potencial muito forte no campo, basta ver a questão dos tambos de leite, da agricultura familiar… Somos um dos municípios mais importantes para a Ceasa, de Porto Alegre, por causa da produção e distribuição de hortaliças em geral, temos destaque no plantio de arroz e uma cadeia produtiva muito forte — lembrou Dédo Machado.
Dada essa relação estreita com o meio Rural, o pedetista assegurou que quer estruturar uma secretaria de Agricultura “com formato de secretaria da Agricultura”.
— Agricultura tem que pensar as políticas agrícolas e não, simplesmente, em patrolar as vias do meio rural. Isso tem que ser responsabilidade da secretaria de Obras. O modelo atual da secretaria da Agricultura está equivocado, e nós precisamos e vamos mudar isso quando assumirmos a prefeitura.
Para o candidato, a pasta tem que fomentar o desenvolvimento rural com ênfase a todo tipo de produção do campo. Sem citar números, Dédo lembra que Viamão tem um rebanho bovino — gado de corte — significativo, e que muito do que poderia ser arrecadado pela municipalidade, em tributos, acaba ficando com outros municípios que fazem o beneficiamento do arroz, da carne e do leite, por exemplo.
— Nós temos que fomentar o desenvolvimento deste setor.

QUEM É O CANDIDATO

Nome: Ederson Machado dos Santos

Nascido em: Caçapava do Sul, em 18 de janeiro de 1972, 44 anos
Morador de Viamão desde os oito anos de idade.

Filho de uma professora e um motorista de ônibus, tem mais duas irmãs e três irmãos.

Possui o ensino médio completo. 
Casado, dois filhos do primeiro casamento e uma filha da união atual com Vanessa Fraga da Rocha. 

Antes da vida política foi auxiliar de expedição em padaria, em supermercado, até se tornar representante comercial de empresas têxteis, por 12 anos.

Depois de três anos no PDT, em 1994 se filiou ao PT, foi eleito em 2004 para a Câmara pela primeira vez. Está no seu terceiro mandado.

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