Não era uma mulher linda. Mas cheia de vaidade e ambição. Vivia no Brasil com a vida bem normal. Não era rica, mas tinha lá seu carro classe média e um pequeno apartamento. Trabalhava a semana inteira,mas seus finais de semana sempre foram especiais. Subia a serra, deliciava-se.Descia para o mar, se deslumbrava. E assim vivia no Rio Grande do Sul.
Um dia teve um "inside" e resolveu se arejar em outros terras. De malas prontas rumou para os States.Estabeleceu-se em Nova Jersey, de onde seguidamente visitava a Big Apple.Já nem era mais deslumbramento. "Aquela cidade é um orgasmo,dizia".
Foi aí que começou sua labuta. De universitária brasileira passou a "diarista" no World Trade Center. Aquele da tragédia terrorista de 2001.Fazia faxina em vários escritórios e lojas do local. Se vangloriava disto porque o salário era muito bom.Depois chorou aquela tragédia toda. Na ocasião já estava bem longe. Num casamento de conveniência com um texano prá lá de rico e aposentado.
Cada ano que visitava o Brasil procurava um cirurgião-plástico renomado para dar umas "espichadinhas". Fez plástica nos olhos, no abdomem e nas mamas. Voltava enxutíssima para os Estados Unidos. E o marido americano ficava cada vez mais apaixonado. Principalmente com o volume do silicone que ela enxertava nos seios.Casou. Depois de viver maritalmente com o tal "boy friend".
Cheia de dólares resolveu conhecer o mundo. Foi a Paris, Portugal, França e de quebra, fez um giro pela China. De onde voltou encantada. Com jóias e tecidos finos. Tudo muito bem planejado. E já com o inglês e o mandarim afiados na ponta da língua.Era esperta. E aprendia rapidamente qualquer idioma.
Era apaixonada por motociclismo. Em Nova Jersey,onde residia, tinha uma confraria de amigos.Todos motoqueiros. Que viajavam o país inteiro em busca da liberdade das estradas. As bem estruturadas e limpas estradas americanas. O marido americano também compartilhava estas aventuras.
De tempos em tempos, uniformizados com as vestes de couro dos motociclistas, saíam em busca de aventura. Quase sempre a encontravam. Ela, recebeu o apelido de "tigresa" pela rebeldia domesticada. E o marido, a aplaudia porque participava do mesmo cenário. Compartilhando o casamento com uma rara espécie de paixão. (Ana D´Avila)





