Ana D´Avila | A Nina e a Lua

Não era uma caravela do descobridor Cristóvão Colombo, mas denominava-se "Nina". Um estabelecimento à beira-mar que fervilhava em dias de sol. Parecia um recanto dos cinquentões. Ali, só gente adulta. Encantadamente , adulta. Com olhares curiosos. Com saudades de uma praia de outros tempos. E com o silêncio, digno de inteligência.

À tarde se esvaía num caldo climático bastante diversificado. Trovões e céu carrancudo. E, depois uma chuvinha fina, que transformou a    areia num grande bordado à céu aberto, em forma de pingos de água.O temporal que viria, não se sustentou. Casais maduros usavam guarda-sóis do próprio "Quiosque Nina". E não se intimidaram. Não se molharam e portanto, permaneciam no local.

O rapaz que servia o pessoal da praia tinha semblante de ator global. Ia prá lá e para cá num bailado que causava cansaço só de olhar.Os corajosos casais solicitavam cervejas, batatas fritas e águas de cocô.O mar em sacolejos distantes recebia os mais afoitos. Que se jogavam na água mesmo sabendo daquele tempo sisudo.

Neste cenário de pouca chuva, um pequeno arco-íris surge dentro do mar. Foi o bastante para aguçar a curiosidade dos proprietários de celulares. Eles miravam o colorido do evento. Clicavam.Mas o arco-íris não se completou na amplitude que todos o conhecem. Talvez, intimidado pelos humanos que não o contemplavam como deveria.Talvez pela falta de condições atmosféricas.Mesmo assim, foi resgatado, parcialmente.

Depois entre nuvens, o sol reapareceu. Já passava das seis horas da tarde.Os apreciadores do entardecer, iam pouco a pouco se retirando.Com suas cadeiras de sol, seus chapéus e cuias de chimarrão.Agora parecia que o entardecer chegou ao auge. Os guarda-sóis da "Nina" se fecharam.

À noite, uma super lua cheia surgiu dentro do mar. Era uma terça-feira de muita energia: chuva,sol,arco-íris e imensa lua. Bons presságios para quem acredita em magia. Bons cenários para quem vibra com a imprevisibilidade da natureza. O mar à noite, recebeu a lua. Com sua luz e força. Curiosamente, as luzinhas dos celulares voltaram. E documentaram. (Ana D´Avila)

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