Ana D´Avila | A plataforma

Estende-se em dois braços de cimento e aço por 300 metros dentro do mar. Parece abraçar as ondas, que em sua imensidão verde de espumas brancas, causam grande espetáculo. Ondas estas que, com sua força, varrem para a beira daquela praia do litoral norte gaúcho o que estiver em seu caminho. De surfistas a seres aquáticos.

Um vento frio circunda a plataforma, tão arquitetonicamente construída para além da praia. No meio de seus braços acimentados existe um bar-restaurante. Ali piratas do mar contam histórias. Pescadores destemidos colocam carretilhas ao lado destinado à pesca. Quase sempre os peixes mordem a isca. Mas são devolvidos ao mar, porque pescar é uma terapia, um esporte, para os donos dos anzóis.

O bar-restaurante chama-se "Boteco". O cardápio é digno dos deuses. O chefe da cozinha é francês, e sua culinária primorosa. O local atrai público de várias etnias, idades e procedências. Eles comem, bebem e contam suas experiências do mar. Um deles pede, brasileiramente, que sirvam a ele uma caipirinha. Ela é gigante. Vem num caneco estilo festa alemã da serra gaúcha. O apreciador fica satisfeito.

Alguns destes frequentadores da plataforma parecem realmente piratas. Com pele bronzeada e olhar cigano. Seus semblantes causam até certo medo neste universo marítimo. Alguns têm rostos cor de canela e olhares expressivos e misteriosos.

Acima da plataforma, percorrendo uma escadinha de degraus pequenos, chega-se na cobertura do prédio. O espetáculo visual é digno de registro. No horizonte, um mar de águas mutantes. Às vezes verdes, noutras azuis. E quase sempre de um cinza-chumbo inesquecível. Contam os pescadores que dali, no mês de setembro, se avistam baleias brancas. Algumas delas com seus filhotes.

A plataforma ao longe e à noite é um espetáculo de luzes coloridas e múltiplas. Elas atravessam o mar e deixam no ar um desenho mágico. Sem dúvida, fonte de inspiração para quem escreve. E para quem a visualiza em noites enluaradas.

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