Do alto de sua contemplação, ou escuridão ou alucinação, foi perdendo a razão e entrando no tubo da loucura. De frente para o mar olhou o céu e viu aquele risco luminoso chamado meteoro varrendo a noite e tornando sua insanidade mais real do que a mais sincera transparência . Na cidade de Taquara uma equipe de estudiosos cósmicos apreciava o fenômeno.E a notícia se transformou em manchetes curiosas naquela manhã da segunda-feira. O episodio aconteceu depois da meia-noite naquele domingo de Pascoa.Seria um chamado espiritual, um despertar de Deus.
Exótica ou louca ela conseguiu fazer sua reflexão. Aquilo não era normal. Nem sua vida era. Olhando no ângulo que ela estava a lua parecia uma irmã do evento. Estavam próximas. E de baixo era um acontecimento sagrado. Estudiosos afirmaram que o bólido luminoso caiu dentro do mar a uns 600 quilometros da praia Capão da Canoa, no litoral norte gaúcho. Estaria contaminando o mar ou tornando o local atrativo para o turismo. Muitas indagações e nenhuma certeza. Apenas que estava ficando louca.
Mas era muito esclarecida para se considerar louca. Entendia seus neurônios e as cargas de eletromagnetismo que sua aura recebia.E a loucura poderia ser um problema genético. Sua família, em sua totalidade, tinha quedas ascendentes de lucidez.O pai morreu numa clinica psiquiátrica e o irmão estava internado a um bom tempo em busca de um equilíbrio mental que nenhum membro da família possuía. Agora um bólido luminoso riscava o céu,muito próximo a ela.E ela fingia não entender.
Ela tinha um físico mignon, olhos claros, cabelos brancos e uma curiosidade que a dominava. Era uma mulher de seu tempo. E desvairada, contumaz usuária de celulares e toda parnafernália moderna, que por si só, já enlouquecem.O meteoro, entretanto, varria o cosmos, sozinho ou em grupos ameaçando invadir a terra numa grande e derradeira explosão. Seria o apocalipse. O final dos tempos. Talvez. Ou a ressureição de um novo tempo. De escuridão e evolução . Animos apaziguados. Estudos a aparte.Tudo fazia parte da cosmologia.Enquanto a exótica pintava o cabelo de lilás. Se reunia com as amigas e fugia de tudo que não entendia. De resto, a vida, o céu e a loucura estabelecida. (Ana D´Avila)






