Ana D´Avila | Moça de cabelo azul

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Encaracolados e azuis. Este era o seu estilo de cabelo. Loira e linda, circulava pelo calçadão à procura de nada. Nenhum namorado, nenhum sorvete, nenhuma caipirinha. Nada. Simplesmente nada. O que buscava nesta praia ensolarada? Como vivia? Por que daquela anilina nos fios de cabelo? Ninguém sabia. A não ser um amigo viajado e confidente, que, de vez em quando, fazia caminhadas com ela. “Num ‘rolê’ absurdo”, como sempre afirmava.

A caminhada continha segredos. Tão escondidos quanto ela em dias de chuva. Será que ela contava todos seus segredos para este amigo? Acho que não. Ela parecia guardá-los em caixas pretas mentais invioláveis. Como cofres de bancos. A não ser que para abrir, tivesse uma senha secreta. Só assim seus segredos seriam revelados. Assim como suas aflições, medos e dúvidas naturais da condição humana.

No trajeto pela praia, existia mais silêncio do que palavras, que junto ao vento, se esvaiam para além do mar. Teresa e Paulo se conheceram em Porto Alegre, num Pub dos Moinhos de Vento, bairro que ambos admiravam. Certa feita, selaram um pacto de amizade. Apenas amizade. Não eram fãs de casamentos. Nem de suas regras. Eram seres anticonvencionais. Ela era compositora e ele publicitário. Muitas vezes ela sonhava e ele tentava vender ideias. Sabia vender. E ela, sonhar.

Agora encontraram-se no litoral. Ao acaso, sem encontro marcado. E neste acaso, nasceram as caminhadas. Necessárias. Com as sequências de reflexões. Sobre vida, sobre amor, amizades e as tempestades das convivências. Calavam-se por minutos quando o assunto assim exigia. Não   eram filósofos nem psiquiatras, mas entendiam o básico de uma relação. Se havia amor e amizade, existia também o sofrimento. Quem nunca sofreu por amor? Indagava ele.

Os cabelos de Teresa brilhavam com os raios de sol. Aquele azul pintava sua cabeça de magia e lhe dava um ar interessante. Por que o azul, perguntava Paulo? Ela respondia, que era sua cor preferida. Também era gremista e amante do céu do Rio Grande do Sul em dias de verão. A resposta de Teresa chegou com o final de tarde: “Azul me deixa com aparência angelical. Talvez, com ela, e com os anjos,  eu comece a  emanar somente energias boas”.

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