No escaldante verão gaúcho eu costumava rumar para Atlântida. Ali avistava a Plataforma Marítima. Era um oásis a 300 metros mar a dentro. Na sua extensão existia um belo restaurante onde serviam inúmeros pratos da culinária dos pescados. E uma caipirinha gigante capaz de contentar o mais exigente apreciador de etílicos. O ar, no local, era refrescante. Sem igual. No campo do turismo era notório a visitação. Ao longo de seu caminho, muitos pescadores amadores ou não faziam terapia com seus anzóis na busca por uma boa pescaria.
Baleias jubartes(de tamanho de 16 metros pesando cerca de 40 toneladas e na cor quase negra) circulavam por ali trazendo vida marítima para o local. Principalmente na chegada da primavera. As ondas eram enormes e por isto mesmo ,muitos surfistas frequentavam o lugar, com suas pranchas e com seus pré-aquecimentos para adentrar mar a dentro. Existia um quê de magia quando em dias de sol forte as ondas formavam gotículas de sal e luz batendo pelo caminho da estrutura até chegar à praia.
Como apreciadora da natureza me contentava ver aquilo .Muitas vezes filmadas e postadas em meu Instargram. Para que todos soubessem, que no litoral norte gaúcho ,existia um lugar mágico. E eu sempre voltava lá. Almoçava na Sociedade dos Amigos de Atlântida e depois rumava a pé pela praia até chegar à Plataforma. Hoje estou triste .Ontem,no domingo 15 de outubro, recebi a notícia de que a plataforma desabou. Perde o litoral. Perde os amigos da natureza e do mar.Que pena!
A Plataforma foi construída por volta de 1975. E sua manutenção foi negligenciada pelas autoridades responsáveis. Mantida extra-oficialmente por um grupo de amigos numa entidade independente. Não resistiu a falta de uma manutenção mais intensa. O mar, como fortaleza, acabou engolindo-a neste domingo.Para minha tristeza e de todos que a apreciavam .Em verões passados passei momentos de lazer em visita a ela com a sutileza de quem vê no mar como uma força imbatível.
A Plataforma abrigava o restaurante, dois banheiros e um andar superior que eu apelidei de roof, uma cobertura original e ventosa. Mas era onde, eu e minha filha, saboreávamos um sorvete delicioso servido em taças coloridas. De cima observávamos a extensão de um mar multicolor. As vezes muito verde. Em outras azul e até cinza quando uma neblina densa ensaiava a chegada da chuva. Vivi bons momentos na Plataforma. E hoje minha lágrima frequenta meu rosto.Já tão abalado pela estupidez da vida.Choro e lastimo: nunca mais vou tomar sorvete na cobertura da Plataforma. Tão real e, que agora se foi para sempre. Não existe volta. (Ana D´Avila)





