Ana D´Avila | Um sábado de agosto

Amanheceu e o dia trouxe maravilhas. Entre estas, um sol. De enternecer. De não tirar da cabeça a ideia de ir a praia. Que estava a apenas cinquenta metros adiante.

E na cabeça, palavras doces.Depois logicamente  um café frugal, abastecido com ovos de granja, saídos lá da terra da longevidade.

O que os detentores do poder estavam tramando neste horário.No resto do mundo se via fogos,artilharia e descompassos. Putin. Ah...o Putin. E no Brasil, Lula. Ah... o Lula.Com suas vontades de poder e glória.

E os escritores escrevendo romances. E os poetas brindando o amor.Os anarquistas criando seus próprios  valores.E eu saudando o sol.

Ele invadia minha janela que já era pouca para tanta luz.Que maravilha!Nem os poetas sentem o que sinto neste momento:O calor do sol. É sábado e não há nenhuma tensão neste dia. Nem neblina, maresia ou ventos fazendo estragos.Só o abrasador sol do quase meio-dia. Me sinto purificada por ser capaz de senti-lo. De apreciá-lo do alto da minha vida . E esperando dele o calor que me falta.

Aqui,entre poucos livros, me assombro.Com a velocidade dos dias   e com a evidência de um aniversário que está prestes a chegar.  É quase um extase. Pensar numa torta de morangos, algumas velinhas e a certeza de uma bela comemoração. Entre elas um abraço de luz doado ao aniversariante. Depois certezas de um compasso  estabelecido de carinhos e esperanças.

O sol deste sábado, atravessa jardins. Testemunha atrevimentos e está junto com as folhas das árvores que o inverno jogou no chão.Elas são muitas.Eu as olho da janela. Constato arvores nuas.Caes e pessoas circulando.E um dia de rara alegria no coração. Adiante, o mar com ondas de espuma branca, pescadores e surfistas.Mulheres e crianças num vai e vem constante. E eu, dando vivas ao sol. Que neste dia está nítido e mágico. Tão conectado, que num rápido momento, pensei em guarda-lo só para mim. Testemunha de um tempo de rara sensibilidade. (Ana D´Avila)

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