Câmara renovada pela metade assume a 19ª Legislatura em Viamão. Dos 21 eleitos, 11 são novos vereadores e 16 integram a base governista

Mesa que conduziu a posse dos parlamentares, ainda sob a presidência do vereador Luisinho do Espigão, teve a presença do deputado estadual Professor Valdir Bonatto. Fotos: Silvestre Silva Santos

Sede do Legislativo viamonense ficou lotada para solenidade que durou mais de três horas. Rodrigo Pox, do Podemos, é o novo presidente do Legislativo eleito em chapa única, com protestos dos vereadores de oposição

Os 21 vereadores da Câmara Municipal de Viamão tomaram posse nesta quarta-feira, dia 1º de janeiro, em um ato que lotou de familiares, apoiadores, amigos e autoridades o Plenário Tapir Rocha, no centro da cidade. Dos que têm assento na Casa, 11 – mais da metade – são novatos ou voltam ao Legislativo. A cerimônia de posse foi conduzida pelo – ainda e agora ex - presidente Luisinho do Espigão, que chamou os parlamentares para o juramento, por ordem de votação. A solenidade foi assistida por Rafael Bortoletti e Maninho Fauri, na condição de prefeito e vice eleitos, além de atuais e ex-secretários municipais, o comandante do 18º Batalhão de Polícia Militar (BPM) da Brigada Militar na cidade, tenente-coronel Endrigo Silva Silveira, e o comandante do Corpo de Bombeiros Militar, tenente Fabiano Pereira.

Pela ordem de votação, a primeira a prestar juramento e ocupar a tribuna da Câmara foi a enfermeira Michele Galvão (PSDB). Ela é a mulher mais votada para o Legislativo na história do município, com 2.717 votos, mas já teve que se licenciar da função para assumir, nesta quinta-feira, 2 de janeiro, o cargo de secretária municipal da Saúde. A indicação de Michele foi anunciada por Rafael Bortoletti, ao final do seu discurso logo após ser empossado prefeito. Foi um dos últimos nomes divulgados para integrar o primeiro escalão, ao lado do vice-prefeito, Maninho Fauri, que vai responder interinamente pela secretaria de Obras.

Depois da posse dos 21 vereadores da 19ª Legislatura – 1º de janeiro de 2025 a 31 de dezembro de 2028, aconteceu a eleição da mesa diretora da Câmara para este primeiro ano de mandato. Em chapa única, Rodrigo Pox (Podemos) foi escolhido para a presidência, tendo como primeiro vice o vereador Luisinho do Espigão (PSDB) e, como segundo vice, Thiago Gutierres (PSD). Completam o grupo que recebeu 16 votos favoráveis e cinco contrários, o primeiro secretário Markinhos da Estalagem (Agir e o segundo secretário, vereador Felipe Almada (Progressistas)

Para saber

Votaram contra os vereadores:

  • Alex Boscaini – PT
  • Marco Antônio Borrega – PDT
  • Eraldo Roggia – MDB
  • Eda Giendruczak - PDT
  • Jonas Rodrigues – PL

Vereador Rodrigo Pox (Podemos) foi eleito presidente da Câmara Municipal para o primeiro ano da nova Legislatura com 16 votos favoráveis

A razão

  • Os oposicionistas invocaram o Regimento Interno alegando que a eleição em chapa única deveria respeitar o princípio da proporcionalidade entre os partidos com assento no Legislativo, o que não estaria sendo respeitado.
  • O vereador petista, Alex Boscaini, chegou a usar a tribuna para dizer que a oposição poderia, inclusive, impetrar ação judicial com objetivo de anular a eleição para a mesa diretora da Câmara.
  • Logo depois que o vereador Pox assumiu a presidência da Câmara, e antes de ele dar posse a Rafael Bortoletti como prefeito de Viamão, a vereadora pedetista Eda Regina Giendruczak deixou o plenário, em protesto contra a eleição.
  • No seu discurso de posse como novo presidente da Câmara, o vereador Rodrigo Pox disse que os opositores não apresentaram uma chapa para concorrer à presidência, porque não quiseram. E sustentou a legalidade da sua eleição lembrando que a proporcionalidade foi respeitada a opartir do momento em que a chapa única tinha um vereador de cada partido.

No detalhe

Todos os vereadores, depois de realizarem o juramento e serem declarados empossados, ocuparam a tribuna pelo tempo regimental de cinco minutos. A primeira foi Michele Galvão, candidata ao Legislativo mais votada da história de Viamão. A reportagem reproduz na íntegra o discurso da parlamentar.

...

“Sou a enfermeira Michele Galvão, nascida e criada aqui na praça da borracheira, filha do Flávio, ou poxoxa, e da Izabel. Minha infância foi dividida entre os dias de semana no centro e finais de semana nas lombas ou na Estância Grande. Sempre tive uma personalidade muito forte, sendo firme e determinada nas minhas decisões. Nem sempre eu a escolhi o caminho mais fácil, a exemplo de ter escolhido engravidar e casar aos 16 anos. Sim, eu escolhi e afirmo para vocês que foi a Eduarda, minha filha mais velha, que me moldou, aos 16 anos, mãe. Minha mãe me diz, tens que fazer algo da tua vida, trabalhar, e me sugeriu o (curso) Técnico de Enfermagem. Eu achei bom, e foi assim que descobri minha vocação para cuidado com as pessoas. A enfermagem veio para mim como realização profissional e, com sede de conhecimento, fiz o Técnico, entrei na faculdade, fui para Pelotas onde fiz Mestrado, e em 2012 voltei para Viamão para colocar meu conhecimento em benefício da minha cidade.

Fui enfermeira de Águas Claras e, em 2013, janeiro de 2013, pasmem vocês, após o período eleitoral, eu e mais 11 enfermeiros fomos desligados. Eu trabalhava à noite no Hospital Viamão, não estava desempregada, mas estava preocupada, porque eram 11 unidades de saúde sem enfermeiro. E o que fiz? Fui até a SMS quando soube que o prefeito estava lá, e o esperei na porta da SMS. Quando o vi, de pronto me apresentei e questionei, o que o senhor vai fazer com as unidades de saúde que estão sem enfermeiro? Eu não sabia, mas ali era o meu primeiro ato político em defesa da saúde de Viamão. De lá para cá, trabalhei incansavelmente pela saúde de Viamão, ora na emergência do nosso hospital, ora à frente da atenção primária do município, onde vi nascer em mim o desejo de ser secretária de Saúde. Fiz doutorado e me preparei para o dia em que a oportunidade chegasse eu estivesse pronta. Chegou!

Quando, na condição de secretária municipal da Saúde, tive que me envolver com questões políticas inerentes ao cargo, e mesmo quando vim a esta Casa apresentar os rumos da saúde pública municipal, jamais imaginei que pudesse concorrer a um cargo no Legislativo, ou mesmo para o Executivo, quem sabe? A vida pública, que faz parte da minha história, me ensinou muitas coisas, e de todas que pudesse relatar, destaca-se uma: Temos que cuidar das pessoas, afinal, elas são o nosso objetivo. Não o início, mas o fim dos nossos propósitos. Diante de muitas dificuldades e desafios que a cada momento se levantavam e se tornavam mais fortes, descobri que tudo girava em torno da política enquanto meio para construir soluções de problemas, neste caso, na saúde. Enquanto secretária, contando com apoio de muitos e da confiança do prefeito, pude realizar muitas entregas e melhorias jamais vistas na saúde de Viamão, que aqui não teria tempo para relatar.

E foi graças a esta experiência que fui provocada ao primeiro pensar em concorrer à vereança. Apesar de ter os poderes de gestora, minhas vontades e planos esbarravam nos interesses políticos e partidários, afinal das contas, eu tinha apenas o conhecimento técnico, não tinha sido testada nas urnas, como dizem. Anoiteci na dúvida, se concorreria. Amanheci decidida. Era candidata a vereadora por Viamão. Esperei a convenção do partido e fui homologada. Foram 50 dias de campanha intensa. Percorri Viamão nos seus quatro cantos e falei com as pessoas. Mostrei meus planos. Não tive medo de enfrentar as dificuldades. Houve momentos que me desanimaram, especialmente algumas baixas. Para mim isto não era justo, afinal, sempre fui fiel e sincera no que propunha. Mostrei a minha cara, meu currículo, meus desejos, minhas propostas, minha vontade de ser vereadora de Viamão. Muitos me ajudaram. E quando o medo me enfrentava, logo alguém vinha em meu socorro, e depois de muitas lágrimas, voltava à carga. Eu queria ser vereadora de Viamão. O Rafael (Bortoletti) tinha que ser prefeito. Tínhamos propósitos comuns e compromissos de gestão afinados e alinhados. Também nada adiantaria ser eleita se o prefeito não fosse ele. Acreditei em mim e nos apoios que recebi, até mesmo de pessoas de fora do PSDB. Foram muitos os que me ajudaram. Quase um exército de homens e mulheres que saíram às ruas com a alegria de querer me ajudar.

Não tive cabos eleitorais pagos. A alegria das caminhadas, das bandeiras, da carreata, das reuniões, das visitas. Todos queriam a Michele vereadora de Viamão. Não pensei que chegaria tão longe. Fui candidata sem inimigos, mas com muitos adversários, uns poderosos outros - eu diria - perigosos. Mas a humildade e o apoio de todos conhecidos e anônimos me fizeram a vereadora mais votada do município. Nunca pensei que chegaria neste patamar. Hoje, depois de passados os dias do pós eleição, depois da diplomação, depois de tudo, volto de onde vim. Mas volto como vereadora. Continuo sendo a enfermeira, servidora pública municipal de Viamão. Volto como esposa, mãe, filha, irmã. Volto como sempre fui. Mas agora sou vereadora de Viamão. E o Rafael é o nosso prefeito. Mas ao voltar a ser o que sempre fui, coroada com o cargo de vereadora, assumo o compromisso de trabalhar em prol dos que mais precisam. Sendo vereadora ou a qualquer cargo que venha ocupar, se assim for de meu interesse e da gestão, nunca deixarei de ser o que sempre fui e de fazer o que sempre fiz. Cuidar das pessoas, especialmente na saúde”.

Vereadora por poucas horas, enfermeira Michele Galvão (PSDB) atendeu à convocação do prefeito Rafael Bortoletti e, a partir desta quinta, 2 de janeiro, assume como secretária municipal da Saúde

De pai para filho

O vereador medebista Eraldo Roggia assumiu nesta quarta para exercer o seu oitavo mandato, e ao ocupar a tribuna se emocionou ao falar do apoio do filho, o engenheiro Eduardo, que foi quem escreveu seu discurso de posse no dia anterior. O vereador, inclusive, anunciou sua intenção de, após ter cumprido este mandato que se encerra em dezembro de 2028, passar o bastão ao filho e tornar Eduardo o próximo representante da família Roggia no parlamento municipal.

Outro que seguiu os passos do pai foi o vereador Leandro Bonatto (PSDB), eleito com 1.606 votos em 6 de outubro passado. Aos 24 anos, representa a terceira geração da família, na política. O pai, Valdir Bonatto, foi vereador, prefeito duas vezes e agora é deputado estadual. O primo, Francinei Bonatto, foi vereador e presidente da Câmara. Leandro arrancou lágrimas do Bonatto-pai ao agradecer ao apoio recebido para que se tornasse candidato e conquistasse uma das cadeiras no parlamento municipal.

Eraldo com o filho Gustavo Roggia (E), do MDB, e o deputado Valdir com o filho Leandro Bonatto (PSDB): política corre nas veias

Presença ilustre

O vereador mais votado para a Câmara Municipal de Porto Alegre – e mais votado no Sul do Brasil –, Jessé Sangalli, eleito para seu segundo mandato com 22.966 votos, esteve no Legislativo de Viamão para assistir à posse dos vereadores e do prefeito e vice, Rafael Bortoletti e Maninho Fauri, respectivamente.

Ele fez oarte do parlamento, no município, entre 1917 e 2020. Filiado ao PL do ex-presidente Jair Bolsonaro, Jessé Sangalli se elegeu para a Câmara Municipal da Capital no pleito de 2020, mandato 2021-2024, conquistando a reeleição em outubro do ano passado para o período 2025-2028, quando foi referendado como candidato mais votado dos três estados do Sul do país.

Sangalli: de vereador em Viamão para o mais votado do Sul do Brasil como candidato à reeleição na Câmara de Porto Alegre

Vereadores empossados

Michele Galvão – PSDB– 2.717 votos
Felipe Almada – PP– 2.075 votos
Plinio Konig – PSDB – 1.888 votos
Luisinho do Espigão – PSDB – 1.877 votos
Marcia Culau – PSDB – 1.856 votos
Dieguinho Santos – PSD – 1.817 votos
Thiago Gutierres – PSD – 1.677 votos
Leandro Bonatto – PSDB – 1.606 votos
Lucas Souza – PSDB – 1.532 votos
Diego Petry – PSDB – 1.496 votos
Xandão Gomes – Republicanos – 1.434 votos
Alex Boscaini – PT – 1.350 votos
Marco Antônio Borrega – PDT – 1.345
Mauricio Carravetta – PP – 1.327 votos
Rodrigo Pox – Podemos – 1.235 votos
Markinhos da Estalagem – Agir – 1.209 votos
William Pereira – Podemos – 1.075 votos
Eraldo Roggia – MDB – 1.049 votos
Eda Regina – PDT – 1.038 votos
Lucianinho Unidos Pelo Bem – União Brasil – 1.024 votos
Jonas Rodrigues – PL – 920 votos

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