Uma delegação do Parque Científico e Tecnológico do IFRS realizou uma missão para a China, que encerrou na semana passada, dia 27 de agosto, participando de capacitação do Centro de Cooperação Econômica Internacional da província de Fujian, patrocinada pelo Ministério de Comércio Exterior da República Popular da China. A delegação liderada pelo pró-reitor de Desenvolvimento Institucional, Lucas Coradini, contou com representação de diferentes atores associados ao Parque Tecnológico, como empresários residentes do condomínio tecnológico (empresas Instor e DHMed), representantes da Prefeitura Municipal de Viamão (prefeito Rafael Bortoletti e o secretário Geral de Governo, Túlio Barbosa), além de gestores da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (professores Flávia Twardowski, Nilson Rubenich e Anderson Yanzer) e do campus Viamão (Maíra Bae Vieira).
Durante 20 dias, a delegação participou de um seminário sobre comércio exterior e realizou visitas técnicas a empresas de tecnologia, agendas na Universidade de Fuzhou, além de programações de intercâmbio cultural. Participaram também do evento delegações de outros países de língua portuguesa, como Portugal, Angola, Guiné Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. O objetivo da missão foi estabelecer conexões com instituições chinesas visando a cooperação científica, a realização de pesquisas em áreas de interesse comum, oportunidades de intercâmbio acadêmico para pesquisadores e estudantes, e a transferência tecnológica. Segundo Lucas Coradini, “a aproximação entre Brasil e China é estratégica no atual contexto geopolítico, pois trata-se do nosso principal parceiro comercial. A China desponta na vanguarda tecnológica atual, é impossível falar em ciência e inovação sem lançar um olhar sobre os avanços tecnológicos chineses. Além disso, o evento foi uma oportunidade de aproximação também com países do continente africano, o que nos permite o aprofundamento dos laços culturais e a cooperação com o sul global”.
- Todas as despesas da viagem foram custeadas pelo Ministério do Comércio Exterior da China, incluindo passagens, alimentação e hospedagem dos participantes.
- A missão ocorreu em três localidades diferentes: cidades de Fuzhou, Longyan e Nanchang.
Oportunidades e parcerias
Durante a missão foram iniciadas tratativas que devem se confirmar em oportunidades concretas de cooperação científica. A primeira delas com a Universidade de Fuzhou, uma instituição de excelência que oferece 85 cursos de graduação e possui 58 mil estudantes. São 12 áreas de estudo da Universidade de Fuzhou que estão entre as melhores do mundo (1%) no ranking ESI, sendo que Química, Engenharia e Ciências dos Materiais estão entre as 0,1% melhores globalmente. No campo da cooperação e intercâmbio internacional, a universidade mantém relações com mais de 140 instituições de ensino superior, centros de pesquisa e empresas renomadas de 50 países. Na agenda realizada na Universidade de Fuzhou já foi apresentado um memorando de entendimento pelo IFRS, e a instituição manifestou interesse no estabelecimento da cooperação científica.
A segunda parceria deverá ser com a Universidade de Hohai, que tem sua sede principal em Nanjing, umas das instituições de ensino superior mais tradicionais e respeitadas da China. Fundada em 1915, a Universidade de Hohai se destaca pela excelência em pesquisas na área de recursos hídricos e ciências ambientais, com foco em sustentabilidade e mudanças climáticas. Em tratativas com a Universidade, foram identificados interesses mútuos para pesquisas neste tema, e já há um memorando de entendimento em tramitação voltado à cooperação científica para pesquisas sobre biofertilizantes utilizados na agricultura.
Também foi aproveitada a oportunidade de interação com os participantes de países de língua portuguesa para estreitar relações com o continente africano. Como a interlocução com representantes do Ministério de Relações Exteriores e do Ministério de Indústria e Comércio de Angola, visando a conexão com instituições científicas, e a tratativa já em andamento com a Universidade Joaquim Chissano, de Moçambique, que propôs um termo de cooperação ao IFRS. Um dos principais interesses da Universidade Joaquim Chissano é a experiência do IFRS no uso da tecnologia da informação na educação e na formação de professores. Na segunda quinzena de setembro uma delegação moçambicana deverá visitar o IFRS, oportunidade em que será realizada a assinatura do termo de cooperação entre as instituições.
Na avaliação do pró-reitor Lucas Coradini a missão foi totalmente exitosa. “Foi uma oportunidade ímpar de projetar o IFRS internacionalmente e de conectar com o que há de mais tecnológico e inovador no mundo. Nós retornamos com perspectivas concretas de cooperação científica, as empresas do nosso parque tecnológico puderam estabelecer novas relações comerciais, e os gestores governamentais tiveram a oportunidade de aprender sobre modelos de governança, políticas públicas e cidades inteligentes. Sem falar no intercâmbio cultural, uma experiência que amplia a visão de mundo e que pretendemos oportunizar a mais servidores e estudantes a partir das pontes estabelecidas”, afirmou Coradini.
O prefeito Rafael Bortoletti e o secretário Túlio Barbosa aproveitaram a missão para visitar empresas de tecnolo (gia, fabricantes de carros elétricos como a Jiangling Group Electric Vehicle (JMEV) - uma das maiores indústrias de veículos elétricos da China, e para divulgar os potenciais do Município, visando a atração de investimentos. Em todas as agendas foram entregues portfólio de Viamão, que destacam os arranjos produtivos da cidade, seus diferenciais e atrativos, além de divulgar os produtos locais com potencial para avançar no comércio exterior, como o mundialmente premiado azeite da Estância das Oliveiras. Especificamente na JMEV, o diretor da empresa manifestou interesse em ampliar o mercado para a América Latina, e Viamão se colocou como alternativa estratégica pela localização no Sul do Brasil, com proximidade logística para o Uruguai e a Argentina.
Em relação às questões de governança, a experiência chinesa permitiu também melhor compreensão do modelo de cidades inteligentes, em que a informatização e a tecnologia estão aliadas aos serviços públicos. O uso de inteligência artificial para monitoramento urbano em questões de mobilidade e segurança também se apresenta como ferramenta inteligente que pode ser adaptada e utilizada em Viamão. “Os modelos chineses de desenvolvimento e urbanização conciliados com aspectos ambientais e políticas de preservação são também estratégicos para a utilização na realidade brasileira, onde a preocupação com o meio ambiente não pode ser entrave para o avanço do desenvolvimento, e sim caminhar lado a lado”, comentou o prefeito Bortoletti.












