Craque, líder e predestinado: FERNANDÃO nasceu para ser ETERNO

Não vi Falcão, mas vi Fernandão! Predestinado, Fernando Lúcio da Costa tornou-se mito no colorado logo em sua estreia, quando de cabeça — sua maior especialidade — marcou o gol mil na história dos clássicos Gre-Nais. Depois disso, consolidou-se no comando de ataque da equipe, sendo referência nas conquistas da primeira Libertadores do Inter, em 2006 e, sobretudo, na conquista do Mundial, em dezembro do mesmo ano.

Na seara gaúcha, Fernandão personifica a retomada do Internacional no século 21. Tendo nele a maior referência, o Inter voltou ao protagonismo, ao topo, fato ausente desde a geração de ‘ouro’ da década de 70. Culto, bem informado e profundo conhecedor de tática, F9 marcou, em quatro anos, 77 gols em 190 partidas pelo colorado.

Embora o gol mais importante da história do Inter tenha sido marcado por Adriano Gabiru, sem dúvidas o nome que melhor representa a conquista do Mundial de Clubes colorado é justamente o do eterno camisa 9. Um dos goleadores do time na Libertadores, o capitão notabilizou-se por sua ascendência técnica e, sobretudo, por sua inegável liderança junto ao grupo.

Durante a estada em Yokohama, em uma das reuniões entre a comissão técnica e os jogadores, reza a lenda que Fernandão interveio: “Abel, precisamos bloquear a saída de bola do Barcelona. Deixa que vou para o sacrifício e marcarei o Thiago Motta”, teria dito mais ou menos assim. Está explicado as câimbras do ídolo colorado. Logo ele, sempre protagonista com gols e assistências, teve destaque por seu trabalho tático, coletivo, enquanto equipe. Eis mais um capítulo de uma noite atípica e memorável para os vermelhos que fizeram história jogando de branco.

Versátil, o camisa 9 tinha na inteligência a sua grande virtude dentro de campo. Embora preferisse atuar como quarto homem de meio-campo, conforme jogou no Mundial contra o Barcelona, Fernandão era inegavelmente diferenciado próximo à área adversária. Com qualidade técnica pouco comum em atletas de 1,90 cm, por vezes recuava como se fora um segundo atacante, chamava a marcação e tornava Rafael Sóbis, na Libertadores 2006, o atacante mais avançado. No segundo semestre daquele ano, fez interessante dupla com Iarley. No entanto, foi com Nilmar, em 2008, que formou a melhor dupla ofensiva do futebol brasileiro. Na minha singela opinião, evidentemente.

Com estilo todo peculiar de cobrar pênaltis, Fernandão usava uma derivação da “paradinha” para vencer os goleiros rivais. Outra de suas marcas registradas era a vitória pessoal na bola aérea. Além dos inúmeros gols, o centroavante, perdia pouquíssimas bolas no ‘balão do goleiro’ e, sempre ‘dava a casquinha’ ou azeitava a bola para os companheiros.

Poucas vi uma jornada individual tão sublime quanto a de Fernandão na final do Gauchão 2008 do Inter frente ao Juventude. Autor de três gols do 8 a 1, o craque havia convivido a semana inteira com críticas por ter perdido a bola que originou o gol da vitória do time da serra, na partida anterior, no Alfredo Jaconi. De branco, tal qual na vitória contra o Barça, o Inter ali rasgava definitivamente a outrora ‘touca’ chamada Juventude e dissipava, por inteiro, a desconfiança em relação ao seu maior ídolo.

Até hoje não entendo o desinteresse do Inter em repatriar Fernandão, em 2009, quando deixou o Al-Gharafa do Qatar — o que fez com que o ídolo voltasse a defender seu clube de origem, o Goiás. Depois disso, F9 serviu o São Paulo e aposentou-se precocemente, devido a problemas no púbis.

Em julho de 2011, assumiu uma nova função, a de diretor executivo, agora sim, de volta ao Beira-Rio. Um ano depois assumiu o comando técnico do Inter, substituindo o técnico Dorival Jr. Por fim, estava iniciando a carreira de comentarista no canal fechado Sportv.

Neste 07 de junho de 2022, lamentamos os oito anos da precoce partida de quem deixou a vida para virar lenda. E estátua. Mais do que isso: definitivamente, Fernandão nasceu para ser eterno…

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