Crônica anunciada de uma morte da Itália

Imprensa italiana se desespera com ausência da Azzurra na Copa de 2018

por Cláudio Dienstmann

Em 1966, o futebol da Itália tomou uma decisão de choque: para desenvolver a formação dos jogadores de base do próprio país, proibiu a entrada de estrangeiros. A proibição durou 14 anos, até 1980, quando a Roma contratou o meia Falcão, do Inter.

Durante ao menos até a década seguinte – quando Espanha, França, Alemanha, Inglaterra, também entraram como compradores no mercado – o destino dos melhores jogadores do mundo era quase exclusivamente a Itália. A preferência contemplava atacantes: os holandeses Van Basten, Gullit e Rijkaard, os alemães Matthäus, Brehme, Völler, Klinsmann, os brasileiros Careca, Cerezzo, Zico e Ronaldo, os argentinos Maradona, Crespo e Batistuta, os franceses Platini e Zidane, o polonês Boniek…

Obrigadas a enfrentar esse enorme talento ofensivo, as equipes italianas conseguiram aprimorar os seus zagueiros – Scirea, Paolo, Maldini, Baresi, Nesta, Cannavaro … O problema é que, com tantos estrangeiros à disposição  para o ataque, os clubes deixaram de formar atacantes locais. E foi assim, agora, que a Itália perdeu por 1×0 e empatou em 0x0 com a Suécia e ficou fora da Copa do Mundo de 2018, tomando apenas um gol mas não fazendo unzinho nos dois jogos do mata-mata.

Outra questão é que praticamente todos os jogadores da seleção da Itália  jogam em clubes italianos – exceção dos meias Verrati do Paris Saint Germain e Darmian do Manchester United –, mas isso que poderia ser uma vantagem na verdade é um problema porque todos os clubes do país no momento estão longe do primeiro nível europeu. Isso inclui a Juventus, com quase toda a defesa da seleção – Buffon, Barzagli, Chielini, Bernardeschi. No mais, foram chamados jogadores de Lazio, Torino, Roma, Milan, Inter, e até um brasileiro, o meia catarinense Jorginho, do Nápoli.

A tetra Itália é o único dos oito campeões que fica fora da Copa de 2018. É a sua terceira ausência: nos 20 mundiais anteriores, não teve interesses em jogar em 1930, e foi eliminada em 1958 pela Irlanda do Norte. No último jogo, derrota de 2×1 em Belfast dia 15 de janeiro, a Itália tinha quatro jogadores estrangeiros: o argentino Montuori, o brasileiro Dino da Costa, e os autores dos dois gols do Uruguai na final de 2×1 contra o Brasil em 1950, Maschio e Ghiggia. Em Belfast, em vez de herói, Ghiggia foi expulso e virou vilão.

 

 

 

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