Ah, a adolescência. Chega de forma tão rápida que as vezes nem nos damos conta.
Pois bem caro leitor, estou passando mais uma vez por esta transição na minha casa, só que desta vez de uma forma um pouco angustiante. Pois é, minha pequena Mariana (a Marianinha como muitas vezes a chamo) está na adolescência. Sempre achei que ia demorar muito para que essa fase chegasse, ou me iludia achando que com ela seria diferente. Mas aí está, a minha pequena cresceu e está sendo difícil lidar com esta nova etapa. A dificuldade não está em aceitar que ela cresceu, mas no choque da rapidez que isso aconteceu e todas as mudanças que trará.
Apesar de ter uma deficiência, minha pequena está passando pelas mesmas mudanças que qualquer jovem, com algumas particularidades, impostas pela sua limitação motora. Seu corpo está se transformando, tanto de forma externa e interna, e o tempo corre, e insiste em transformá-la de menina em mulher, mas sinto que a sua alma de criança, presa a um corpo cheio de limitações, parece meio desajeitada frente a tantas mudanças.
O que me deixa angustiada é que, como a maioria sabe, Mariana não fala, portanto, não consegue externar todo este intenso choque entre o velho e o novo modo de ser e sentir. Imaginem como deve fervilhar a sua cabecinha, que gostaria de pôr para fora tudo o que gostaria de fazer, tudo o que está sentindo nesta nova fase, todas as palavras que gostaria de externar para traduzir os seus pensamentos, mas infelizmente, sua alma vive em um corpo que dificilmente responde aos seus apelos e vontades. A cabeça manda mas o corpo insiste em não obedecer.
A mudança foi notada na escola. Local onde sempre foi muito feliz. Começou a chorar na hora de ir, (e quem a conhece sabe que ela é só sorrisos), voltava triste e o brilho do seu olhar estava se apagando. Apesar de não falar, acreditem, nós conversamos muito. Pergunto muitas coisas para ela, que, gentilmente, da sua maneira sempre me responde. Numa das nossas conversas diárias fiquei sabendo que ela fica incomodada por ser diferente, por ter que usar a cadeira de rodas, o que até então não era notado.
Mais um desafio a passar: fazer com que o seu olhar brilhe sempre, por alegrias, por sonhos, por vontades e por esperanças para que assim, possamos nos ousar e furtar um pouquinho desse brilho e ter forças para continuar a enfrentar todas as fases que estão por vir.
Difícil tarefa essa de ser mãe e pai, né? Difícil ver nossos rebentos criando asas e se preparando para alçar voo em direção a tudo o que a vida tem para oferecer. Mais difícil é querer que o filho alce voo, mas se dar conta que as suas asas não lhe permitirão voar e, se permitirem, talvez não seja um voo tão perfeito.
E o tempo insiste em voar...





