Encontro

Sentou-se à mesa. Esperou sem pestanejar. O ambiente era “clean”. Pelo salão, alguns casais. Olhava as horas no celular. Esquecendo o tempo em que usava um delicado reloginho de pulso. Faltava dez minutos para o horário estabelecido para o encontro. Encontro de reminiscências. Encontro com um “flert”do passado. Seu coração disparava. Um tanto trêmula esperava.

A porta da cafeteria parecia aquela dos “saloons” dos filmes de faroeste. Finalmente se abriu. Lá estava ele. Seu outrora apaixonado. Que, por dez anos, ela não via. Embora fosse um relacionamento sem sexo, ambos se envolveram. Era como uma amizade que deu certo. Volta e meia comunicavam-se para saber da vida. Quase sempre estavam bem.

De muito bom humor e viajado ele agora estava divorciado. E ela saindo de um casamento complicado. Empresário do ramo dos vinhos na Serra Gaúcha ele planejava encontrar uma nova companheira. Mas ela não seria a ideal. Não gostava de amarras. E sabia que o casamento é um cárcere. Muitas vezes com pouco prazer e muito sofrimento. Além do mais, estava cansando da vida doméstica. Cozinhar, lavar louças e periodicamente preparar pipocas. Que agora, estouravam a sua paciência e, não os milhos.

Pediram café. Nos olhos, inquietações. Amor adolescente é cheio de paixões. Já o amor maduro, é diferente. Dizem que o amor na maturidade é para sempre. Como os diamantes. E deve ser mesmo. Não há mais tempo como na juventude. Enfim conversaram. Sobre tudo: negócios, política,vida, Brasil, bomba atômica e poder.

Ambos haviam tido filhos dos relacionamentos anteriores. Todos já eram adultos e seguiam suas próprias vidas. Falaram da família e do destino de cada um. Vivendo nesta época incerta, problemática e virtual com os quase oito bilhões de seres humanos divididos pelo Planeta Terra.

Depois de mais de uma hora conversando trocaram “e-mails” e despediram-se. Nada prometendo. Numa amizade real e bem longe de sonhos encantados. Sonhar é para poetas. Viver é para realistas. Satisfeitos com o agradável café dirigiram-se agora, às suas moradas. Ele na Serra. Ela na zona norte do Estado.

Pelo retrovisor do carro, a figura dela ia lentamente desaparecendo. Mas ele não esqueceu a intensidade do batom vermelho que ela usava. E que ficou registrado em sua xícara de café. Enquanto ela, não esqueceu a alegria que ele parecia ter pela vida. E, que de certa forma, amenizou  suas agruras existenciais.

 

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