Entenda o caso da ’vacina falsa contra a COVID-19’ em Viamão: o que dizem Prefeitura, Estado e Ministério Público

Viamão acaba de entrar em uma das piores polêmicas envolvendo a pandemia no Brasil: a falsa vacina contra o Coronavírus. Uma família do município, que não terá os nomes divulgados pelo DV, levanta a suspeita e avalia levar o caso à Polícia.

O problema começa quando uma idosa foi levada pela neta para receber a segunda dose, em abril deste ano, na Unidade de Saúde da Santa Isabel.

– Ele botou o esparadrapo por botar, eu não senti a agulha. Botou e saiu correndo – conta a paciente.

A neta alega que notou algo estranho e pediu ao profissional que mostrasse a seringa vazia. O agente teria se negado.

– Eu disse que queria ver a seringa. Ele (profissional) de costas, estava, e assim ficou – afirma a acompanhante da paciente.

Desconfiada, a família levou a aposentada para realizar um exame laboratorial. O resultado da análise, feita em 21 de maio, indica que não foram detectados anticorpos para o Sars-Cov-2, causador da COVID-19. Isso, no entendimento dos parentes, é a prova de que a idosa não foi imunizada.

De posse do exame laboratorial, agora os parentes da paciente estudam encaminhar ocorrência policial.

 

O que dizem Prefeitura e governo do Estado

 

O Diário de Viamão solicitou entrevista com o prefeito Bonatto, que também responde interinamente pela secretaria da Saúde (SMS). A opção do Gabinete do chefe do Executivo foi por se manifestar por meio de nota oficial.

No texto, a SMS explica que tomou conhecimento do caso no início desta semana e que aguarda análise técnica. que será realizada pela própria secretaria. O comunicado cita orientação do governo do Estado, onde este afirma que "não há embasamento para realização de testes sorológicos para avaliação de resposta individual de proteção contra infecção pelo SARS-Cov-2".

O governo do Estado não se manifestou.

 

Leia a resposta oficial da Prefeitura na íntegra:

 

A Prefeitura Municipal de Viamão, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, informa que no dia 24 de maio, nesta segunda-feira, recebeu o comunicado da família da senhora *** à Ouvidoria da SMS, relatando a suposta falta de imunização, estando o caso aguardando análise dos técnicos da SMS.

Porém, é de extrema importância salientar que o Governo do Estado emitiu em 26 de abril um Comunicado, disponível em https://coronavirus-admin.rs.gov.br/upload/arquivos/202104/30124104-comunicado-02-2021-testes-de-anticorpos-pos-vacinacao.pdf no qual afirma que "A realização de testes sorológicos pós-vacinal, para avaliação de resposta vacinal não é recomendada, seja através da mensuração de anticorpos totais, anticorpos IgG ou anticorpos neutralizantes"

O Comunicado também diz que "Somente os resultados de testes sorológicos não refletem a situação individual de proteção, uma vez que há o papel da imunidade celular na resposta à infecção. Desta forma, um resultado negativo em um teste de anticorpos neutralizantes não significa que o indivíduo não desenvolveu imunidade contra a doença."

Para finalizar, a Nota do Centro Estadual de Vigilância em Saúde reitera que "não há embasamento para realização de testes sorológicos para avaliação de resposta individual de proteção contra infecção pelo SARS-Cov-2".

Salientamos que Viamão já aplicou mais de 85 mil doses de vacinas, sem qualquer relato confirmado de fraude ou falta de aplicação por parte do vacinador.

De qualquer forma, reafirmamos nosso compromisso no cuidado com a vida e, acompanharemos a situação da senhora *** com o devido e merecido cuidado.

 

*** O Diário de Viamão optou por não reproduzir o nome da paciente.

 

O que diz a Justiça

 

O Diário de Viamão consultou o Ministério Público, que, por meio da assessoria de Comunicação, informou não ter recebido nenhuma denúncia de paciente sobre falsas vacinas no Estado até o momento.

 

Opino

 

É sempre prudente ouvir a opinião médica, embasada por conhecimento e experiência. E a menos que tais orientações do Estado comprovadamente tenham sido escritas por um negacionista da ciência, apenas o resultado de um exame laboratorial não basta para uma opinião definitiva sobre esse caso envolvendo a vacina contra a COVID-19.

As possibilidades são muitas. Engano por parte da paciente, janela imunológica entre a imunização e o exame, falha na fabricação, erro humano… até mesmo a hipótese de má fé sobre o SUS e seus profissionais deve ser tratada com muita delicadeza.

Até mesmo porque não se pode crer em caso isolado diante de um universo de mais de 85 mil doses aplicadas.
Para o bem ou para o mal.

Que a Prefeitura avance além da nota. Que rastreie a qual lote pertence tal dose "suspeita", chame outros imunizados na mesma Unidade de Saúde, acione Estado, Ministério, fabricante, ouça os servidores do posto, a família, até o Papa, se preciso for.

Tudo que a luta contra a pandemia a partir da vacina não precisa neste momento é dar margem para o negacionismo em Viamão. É a reputação do SUS que está em jogo.

Que se encontre uma maneira de produzir uma contraprova antes que o insano tribunal das redes sociais escolha sua sentença.

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