O caminho encontrado pelas professoras da escola municipal Ana Íris do Amaral de Porto Alegre, Daniela Kanitz e Ana Cristina Motta para trabalhar ancestralidade com seus alunos, foi estreitar a relação dos pequenos com seus avós. Durante o ano, os educandos do terceiro ano da escola trouxeram seus avós para a sala de aula, ouviram suas histórias de vida, e tomaram um chá, juntos para confraternizar. A idéia deu tão certo que o projeto acabou crescendo, e todas as semanas a escola convida avós diferentes para participar de oficinas e atividades com os alunos.
- O tema cidadania foi amplamente trabalhado, tanto em relação a interculturalidade, buscando reflexões sobre as diferenças culturais, como também a intergeracionalidade, valorizando as aprendizagens e os conhecimentos dos idosos em nossa sociedade - conta a professora Ana Cristina Motta, uma das responsáveis pelo projeto.
Paralelo a isso a escola já vinha desenvolvendo uma forte parceria com a Escola Estadual Indígena Nhamandu Nhemopuã, que fica em Itapuã, Viamão. Os alunos da escola porto alegrense, visitaram a aldeia em mais de uma oportunidade, participando de atividades culturais com o povo indígena. A partir deste contato, as duas escolas decidiram juntas tocar o projeto “A voz dos avós”, que busca fortalecer o intercâmbio cultural das duas culturas.

- Quando conhecemos culturas diferentes, aprendemos a respeitar. Assim, desconstruirmos o preconceito e valorizamos os conhecimentos ancestrais - explica a professora Ana.
O riquíssimo trabalho agora vai virar um livro, produzido pelos próprios alunos das duas instituições de ensino.
- Nossos alunos estão desenvolvendo textos em português e guarani (bilingues, portanto) para compor o livro. São textos que envolvem a relação do jovem Guarani com seus avós - conta Alessandra Santos, diretora da escola indígena, que inclusive já foi assunto aqui no Diário.
Para que o livro saia do papel e ganhe o mundo é preciso arrecadar R$ 15.000 reais que serão utilizados na impressão e também no transporte, alimentação e uniformes dos alunos, que irão autografar o livro na Feira do Livro de Porto Alegre em novembro.
Até o momento, a Vakinha criada pelas escolas para juntar o dinheiro, conseguiu cerca de 10% do valor necessário. Para colaborar, basta acessar a página da vaquinha e doar por boleto ou cartão de crédito.





