Essa tal de psicanálise

Este não é o meu primeiro texto aqui no Diário de Viamão. Estou começando devagarinho a compartilhar algumas de minhas opiniões com os leitores. No texto de hoje, resolvi escrever sobre aquilo que está no meu trabalho e na minha alma: a Psicanálise.
Imagino que muitos dos leitores não saibam exatamente do que se trata era área do conhecimento e muitos outros já terão escutados verdades e inverdades. Eis a pergunta: Você sabe o que é a psicanálise?
Não é possível desconectar a história da psicanálise de seu criador, Sigmund Freud. De formação médica, Freud era um neurologista conceituado quando passou a investigar mais a fundo a mente e o comportamento humano. Observador atento e minucioso nos estudos, logo percebeu que uma série de sofrimentos psíquicos não apresentava nenhuma justificativa orgânica.
Inicialmente Freud interessou-se por uma doença comum entre mulheres naquela virada de século. Cegueiras, paralisias, gritos e movimentos involuntários se tornava uma forma de padecimento peculiar sem nenhum tratamento efetivo. A histeria acabava com a vida de mulheres que acabavam internadas em instituições psiquiátricas. Sob o grande nome de neuroses, Freud ainda classificou outras formas de padecimento já não tão exclusivas do público feminino: a neurose obsessiva e a neurose de angústia.
Freud então foi construindo uma teoria em que o sujeito cartesiano, até então orgulhoso de sua racionalidade, não era o senhor de sua própria casa. Postulou a existência do Inconsciente, uma espécie de lugar da mente da qual nada sabemos. Juntamente com a ideia do Inconsciente, Freud afirmou a primazia da sexualidade humana desde as idades mais precoces.
É nessa parte que acontece os maiores equívocos por parte daqueles que fazem uma leitura rasa da obra freudiana. Inundada de expressões como sexualidade, inveja do pênis, Complexo de Édipo e gozo, a obra escrita por Freud faz com que muitos leitores desavisados imaginem uma conotação erótica à teoria. Entretanto o termo sexual utilizado pelo pai da Psicanálise está muito relacionado à esfera afetiva e amorosa. O sexual para Freud não tem a ver com erotismo ou genitalidade. O Complexo de Édipo, por exemplo, utiliza a tragédia grega como metáfora para uma relação de amor e rivalidade entre a criança e seus pais. Discípulo de Freud, Jacques Lacan não é menos polêmico da escolha das palavras e assim as confusões vão se estabelecendo.
A Psicanálise é uma área de entendimento do ser humano que prioriza entender os sujeitos enquanto “um todo” e para tanto busca as raízes do sofrimento psíquico, muitas vezes nos períodos mais precoces do desenvolvimento. Nenhuma vivência particular é descartável. Somos essencialmente tudo o que conhecemos e desconhecemos de nós mesmos, mas com o que tivemos contato em uma das tantas histórias e palavras que nos constituem.
Mais de um século se passou desde a “invenção” da psicanálise, muitas vezes desacreditada por aqueles que procuram saídas mágicas para os sofrimentos. As novas descobertas biológicas, explicações essencialmente cerebrais sobre as dores e aflições psíquicas trouxeram modernas soluções químicas de fácil acesso. No entanto as novas técnicas exclusivamente comportamentais se mostraram incompatíveis com a pluralidade do ser humano e nesses cem anos, muitas surgiram e desapareceram sem deixar vestígios. 
Estudos recentes mostram que a técnica psicanalítica não apenas funciona para a mais diversa multiplicidade de casos (dos mais fáceis aos mais difíceis ou graves), mas é ainda melhor, porque tem resultados muito mais sustentáveis e duradouros.

Participe de nossos canais e assine nossa NewsLetter

Compartilhe esta notícia:

Facebook
WhatsApp
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Conteúdo relacionado

Exaustão

Salete havia decidido mudar de vida. Morava num pequeno sítio no interior de São Paulo. Mas pensava que seria mais feliz na capital.Engano profundo. Na capital moravam os grandes vícios.

Leia mais »

Receba nossa News

Publicidade

Facebook