Domingo passado,surpreendendo à todos, falece em seu sítio ao sul de Minas Gerais, a polêmica escritora Fernanda Young. Eu tinha enorme admiração por ela,seu senso crítico, sua cultura e suas colunas semanais publicadas no Jornal O Globo, do Rio de Janeiro. Para mim, Fernanda era perfeita. Como escritora, atriz e desenhista. Cursou Jornalismo, Letras e Artes Plásticas.
Seu último artigo foi publicado na segunda-feira, dia 23 de agosto no O Globo, com o título: "Cafonice no Brasil de hoje".Mas era na rede social,que ela trocava mensagens assíduas com seus leitores. Que eram muitos.De todos os estados brasileiros. Certo dia, ela interagiu comigo. Perguntei: Por que você não lança tuas obras na "Feira do Livro de Porto Alegre.Quero teu autógrafo, quero te conhecer pessoalmente? Ela respondeu: "Ainda não me convidaram". Depois nunca mais interagimos.
Meu único contato com ela era justamente na rede social do Instagram.Todo dia, incansavelmente, abria a página dela para saber das novidades inteligentes. As vezes ela era muito séria, em outras, cômica. Certo dia, dançava e cantava: "O rico, cada vez fica mais rico. E o pobre, cada vez fica mais pobre".Numa cena teatral incomum e numa crítica direta aos devaneios dos governos corruptos.
Em sua primeira obra de não ficção, Fernanda Young,se inseriu no acalorado debate sobre o que significa ser homem e ser mulher, no mundo de hoje. A obra "Pós-F". contém textos autobiográficos e revela como uma das tantas personagens femininas às quais deu voz, sempre independentes e a quem a inadequação é um sentimento intrínseco. E esse constante deslocamento fez com que Fernanda fosse capaz de observar o feminino e o masculino em todas as suas potencialidades.
É daí que surge o "Pós-F".,pós-feminismo e pós-Fernanda, um relato sincero sobre uma existência livre de estigmas calcada na sobrevivência definitiva do amor, no respeito inquestionável ao outro e na sustentação do próprio desejo. Dizia: "Não sou especialista em nada.Melhor, não sou especialista de coisa pronta. Procuro me aprimorar em mim, entendendo sobre mim- usando, é claro,tudo o que observo nos outros".
Assim, em "Pós-F"., para além do masculino e do feminino, que é ilustrado com desenhos da autora, Fernanda Young, vasculha internamente vivências e sentimentos para oferecer aos leitores sua visão de mundo.
Fernanda Young é autora de 10 romances, e como roteirista, 15 séries para a televisão. Sucesso de crítica e público, "Os Normais", escrita com seu marido Alexandre Machado, foi exibida durante dois anos na Rede Globo. Ela vivia em São Paulo, com Alexandre e seus quatro filhos. Criativa, deixa uma obra cultural relevante no Brasil. E para seus leitores,a oportunidade de conhecer seu talento. Que era excepcional.





