Aqui em Viamão, o meu nome afasta um pouco esse radicalismo do PSol que pode, ainda, assustar as pessoas
Conversar com o candidato a prefeito Romer Guex, que iniciou na vida política como membro do Partido Democrático Trabalhista (PDT) exige pelo menos uma resposta:
--- Por que a opção pelo PSol?
--- Diante do quadro que o país vivia há 10 anos, momento em que o Lula era presidente da República e o Rio Grande do Sul tinha como governadora Yeda Crucius. O meu partido de então, o PDT, estava no governo Lula como aliado e resolveu entrar no governo da Yeda. Mas espera aí! Como pode um mesmo partido servir a dois senhores de uma mesma guerra? No Brasil havia, na época, esta bipolarização. Foi quando eu decidi que o PDT, por estar nestes dois governos, claramente de oposição um ao outro, não me servia mais. Os meus líderes que eram o Tapir (Rocha) em Viamão, e o (Leonel) Brizola, já tinham falecido, e como o PDT havia abandonado sua linha ideológica voltada ao trabalhismo... Mesmo como vereador pedetista eu já estava trabalhando para a criação do PSol em Viamão, então decidir por me filiar ao partido foi uma coisa muito lógica, bem de acordo com a minha ideologia que sempre foi, e é, bem socialista.
Romer diz que o partido está vivendo uma fase muito boa em Viamão.
--- Estamos construindo um partido com muito cuidado, com escolha criteriosa das pessoas que fazem parte do nosso grupo, das bandeiras que defendemos.
Em relação à última eleição municipal, Romer Guex diz que o PSol de Viamão cresceu muito, tanto que tem hoje cerca de 2.800 filiados, número que considera excelente, contra os pouco mais de 1.100 da eleição passada, para a prefeitura.
Sobre a ideologia radicalmente esquerdista, do partido, Romer não acredita que seja motivo para assustar o eleitor de um modo geral, ao ponto de prejudicar sua candidatura ao lado da professora Maria Darcila Tinoco, candidata a vice, também do PSol.
O prefeiturável diz que a situação favoreceu ao PSol com os movimentos sociais que ganharam força a partir da metade de 2013, porque o partido tem posição definida, ao lado das classes sociais menos favorecidas e na defesa dos trabalhadores.
--- E depois que o PT se desconstituiu como partido de esquerda, houve uma debandada que acabou optando pelo PSol, pela ideologia e posição assumida.
E conclui:
--- Hoje, no Brasil, onde existe uma alternativa ao PT e que essa alternativa seja o PSol, o povo não quer saber mais do PT. O povo quer o PSol. O PT só vai ter sucesso em alguns municípios em que não tiver uma alternativa de esquerda. Onde nós estamos, o povo acaba optando pela nossa sigla.
“Meu projeto é coletivo, e nada pessoal”
Como dirigente municipal, estadual e membro do diretório do PSol, Romer Guex garante que disputar a prefeitura pela segunda vez, deixando de lado uma cadeira praticamente certa na Câmara de Vereadores, não é uma questão de vaidade.
--- Há muito tempo já não tenho mais nenhum projeto pessoal. Meu propósito atual tem foco sempre no coletivo --- afirma.
Guex diz também que nem estava pensando em concorrer a cargo eletivo algum nesta eleição porque seu projeto maior, atualmente, é partidário.
--- Eu quero é construir e consolidar um partido. Nesta eleição, por exemplo, o projeto é passar de um para três vereadores. Mas nós vamos ganhar a eleição. Não tempos dúvida que somos a opção entre a volta dos mesmos de sempre e a continuidade de um governo que não mudou nada para a cidade.
Investir em saúde não significa ter mais unidades na periferia. Nosso plano é concentrar serviços, até porque as pessoas não reclamam de andar mais um pouco desde que sejam atendidas e tenham seus problemas resolvidos
Um governo com 12 partidos vai fazer o quê para Viamão?
O candidato do PSol à prefeitura de Viamão, Romer Guex, não economiza no palavreado e, como se diz popularmente, baixa o sarrafo quando fala na situação política atual da candidatura situacionista.
--- O André Pacheco vêm aí com 12 partidos --- diz, referindo-se à coligação que apoia o atual vice e candiato à sucessão do prefeito Valdir Bonatto.
--- E esse é o grande problema da cidade. O maior problema de Viamão é que a máquina pública está dominada por um grupo de partidos, e em razão disso essa máquina acaba não podendo servir ao cidadão porque tem que estar a serviço das siglas partidárias.
Romer acha que com sete partidos e 400 pessoas em Cargos de Confiança (CCs) na coligação de apoio ao prefeito Bonatto, se o vice se eleger com respaldo de 12 siglas coligadas o número de CCs tende a aumentar muito.
--- O que é gasto com estes 400 CCs da prefeitura daria para contratar 50 médicos, mas eles não querem médicos.
O socialista imagina que a continuação do atual governo fará com que “não sobre nada” para o cidadão viamonense. Ele diz isso referindo-se à prestação de serviços e por considerar que vai faltar dinheiro para custear a máquina pública.
--- Cada partido vai querer sua fatia. É como um bolo em cima de uma mesa. Cada um vai chegar, pegar o seu pedaço e vão sobrar apenas migalhas para a população. É uma máquina de sustentação partidária, e é uma máquina pobre --- dispara.
Nós vamos atacar a questão do transporte coletivo de modo violento. É uma forma de resolver os problemas de mobilidade urbana e baratear a passagem, uma das mais caras da região
Saúde vai ser o principal alvo do futuro governo do PSol
Dizendo que o partido tem duas bandeiras de luta para colocar em prática se for eleito prefeito, Romer Guex destaca que a área da saúde é que vai receber sua dedicação prioritária. Ele diz que o Hospital de Viamão está operando de forma ociosa, com várias alas fechadas e leitos desativados.
--- Nosso hospital não é utilizado nem a metade. Está com corredores fechados com tapumes mesmo tendo quartos mobiliados, não é um hospital público. Não existe no Brasil uma cidade com mais de 250 mil habitantes e que não tenha um hospital público. Só nós, só Viamão!
Romer antecipa que a ideia é que a prefeitura assuma a administração do hospital e realize os investimentos e contratações necessária. Em outras palavras, segundo ele, o município devem encampar o hospital. Para isso ele diz que vai utilizar os R$ 12 milhões que o atual governo pretende usar para construir um novo Paço Municipal. Mesmo sendo verba específica, ele acredita que o dinheiro pode ser empregado na área da saúde.
--- É muito mais nobre pegar esse dinheiro e investir na saúde, no transporte, na segurança, do que construir uma prefeitura --- diz, justificando sua crença de que o banco financiador aceitaria alterar a rubrica do empréstimo.
E a segunda bandeira é o transporte:
--- Vamos combater esse monopólico e acabar com essas licitações forjadas, implanatar novas linhas, lotações, baratear custos, tudo em favor de quem usa o transporte coletivo.
Para melhorar a segurança é possível fazer bem mais. Vamos instituir a guarda municipal armada aproveitando o que hoje é destinado para custear os 400 CCs que aí estão
Viamão tem o maior déficit de vagas nas séries iniciais
A terceira prioridade no govcerno do PSol, segundo Romer Guex, é a área da educação. Ele diz que Viamão tem, no estado, a maior carência de vagas para abrigar as crianças em séries iniciais. São, garante, 3.500 vagas necessárias, a mais, para evitar que crianças fiquem em casa cuidando de outras crianças, seus irmãos, enquanto os pais trabalham e quando deveriam, isto sim, estar na sala de aula.
Romer, e como solucionar isso?
--- Num primeiro momento não acho que a solução seja a construção de creches. O que eu quero é comprar vagas nas creches existentes. Isso permite que toda pessoa que necessite tenha uma creche próxima de sua casa, e o problema pode ser resolvido muito mais facilmente --- diz.
--- Não adianta construir uma grande creche, para 500 crianças ou mais, em um determinado ponto da cidade, se ela ficar longe da maioria das pessoas que realmente necessitam e vão ter quje se deslocar grandes distâncias para usar o serviço.
Outro plano é implantar em pelo menos quatro escolas o sistema de turno integral de forma conjugada com a secretaria da Cultura que quer unificar com a pasta da Educação.
No turno inverso ao das aulas, oficineiros contratados pela Cultura seriam encarregados de ensinar múltiplas atividades para os estudantes, contribuindo no processo educacional-cultural e afastando estas crianças e adolescentes das ruas e da marginalidade.
QUEM É O CANDIDATO:
Nome: Romer dos Santos Guex
Nascido em: Viamão, em 9 de novembro de 1964, 52 anos.
Casado, é pai de três filhas
Advogado há 26 anos, especialista em Direito de Estado (que tratado do direito tributário, administrativo e público).
Na política desde os 14 anos, quando iniciou no movimento estudantil do Colégio Farroupilha, quando se elegeu vice-presidente. Quando passou a integrar a diretoria da União Gaúcha dos Estudantes (Uges) filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT). Foi vice-presidente estadual do PDT.
Foi secretário da Fazenda e do desenvolvimento nos governos de Tapir Rocha e Jorge Chiden, respectivamente. Por cinco mandatos foi vereador e pela segunda vez concorre a Prefeitura de Viamão.
Há 10 anos está no PSol .





