Justiça determina que mãe presa reconheça corpo de menino morto após espancamento em Viamão

A Justiça do Rio Grande do Sul determinou que a Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba providencie, com urgência, o deslocamento da mãe de Oliver Rodgers ao Departamento Médico-Legal (DML) para realizar o reconhecimento formal do corpo do filho. A medida tem como objetivo permitir a liberação do corpo para sepultamento.

A decisão foi proferida na sexta-feira (17) pela 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri e de Execução Criminal de Viamão, após manifestação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS).

Segundo o MP, todas as perícias necessárias já foram concluídas e não há mais impedimentos técnicos para a liberação do corpo. Restava apenas o reconhecimento formal pela investigada, que está presa preventivamente na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba.

O menino morreu no último dia 8 de julho, após ser espancado pelo pai, o missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson, que está preso preventivamente e confessou as agressões à Polícia Civil.

Em sua manifestação, o Ministério Público pediu que o procedimento fosse realizado “o mais rapidamente possível”, para evitar novos atrasos na entrega do corpo à família.

As investigações da Polícia Civil apontam que o casal submetia os filhos a agressões físicas com a justificativa de “corrigi-los” e discipliná-los. Segundo a apuração, tanto o pai quanto a mãe são investigados pela participação na violência praticada contra as crianças.

O caso ganhou repercussão nacional após a confissão do pai. Em depoimento, ele afirmou que espancou o filho porque o menino não lhe deu “bom dia”. Conforme a investigação, Oliver sofreu socos no tórax e no abdômen, além de ter a cabeça batida contra o chão. A criança chegou a ser socorrida e transferida para um hospital de Porto Alegre, mas não resistiu aos ferimentos.

A mãe foi presa preventivamente dias depois, durante o avanço das investigações.

MP busca histórico da família

Paralelamente à investigação criminal, o Ministério Público do Rio Grande do Sul acionou a Interpol para verificar se Dandre Jermaine Grayson possui antecedentes ou investigações relacionadas à violência contra crianças nos Estados Unidos.

O órgão também requisitou informações às autoridades de São Paulo e Santa Catarina, estados por onde a família passou antes de se estabelecer em Viamão. A intenção é reconstruir o histórico do casal e verificar se havia registros de violência ou acompanhamento por órgãos da rede de proteção.

Segundo a subprocuradora para Assuntos Institucionais do MPRS, Alessandra Moura Bastian da Cunha, também foram solicitados prontuários médicos dos demais filhos da família para identificar possíveis episódios anteriores de agressão.

Além disso, a Polícia Civil investiga a suspeita de que um objeto possa ter sido utilizado nas agressões que provocaram a morte de Oliver, hipótese que ainda depende da conclusão das perícias e dos depoimentos colhidos durante o inquérito.

O casal permanece preso preventivamente, enquanto a investigação busca esclarecer todas as circunstâncias da morte da criança e eventual responsabilização dos envolvidos.

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