Neste domingo tuitei sobre o polêmico discurso de Lula na África sobre o genocídio que o governo extremista de Netanyahu comete na Palestina.
André Boeira, jornalista da região que saiu do armário a partir da ascensão do bolsonarismo, fez acusações a mim de uma desonestidade intelectual característica da seita que segue.
Reproduzo o tuíte, o comentário e, abaixo, sigo, insistindo em minha posição: Lula colocou Netanyahu no paredão do BBB do Mundo.
Obrigado @LulaOficial por fazer o mundo todo falar sobre isso hoje. No exorcismo é preciso chamar o demônio pelo nome, não? pic.twitter.com/KiPR2sazu8
— Rafael Martinelli (@exmartinelli) February 18, 2024
Lula fez um discurso histórico. Arriscou comprometer a estabilidade de seu governo de crescimento chinês para fazer um corajoso gesto pela humanidade.
É uma declaração que cruza sim uma linha vermelha, como disse Netanyahu, mas do vermelho sangue do genocídio de palestinos.
Enquanto Boeiras e sabujos da mídia brasileira se associam na condenação a Lula, resta o carniceiro de Gaza isolado internacionalmente.
Até o fechamento deste artigo, não vi aliados ocidentais de Israel – Biden, Macron e eteceteras – condenando as declarações de Lula.
Ah, Luciano Huck não vale.
Fato é que as declarações de Lula colocam Netanyahu num paredão internacional.
Lula provocou uma tempestade perfeita no mundo, que assim como a neve de Stalingrado, pode ter pelo menos adiado a invasão de Rafah, onde quase dois milhões de palestinos vivem hoje em tendas, em um grande campo de refugiados para onde foram mandados por Netanyahu, e como consequência de um ataque poderá virar um dos maiores campos de extermínio da história humana.
Se a GloboNews usa como fonte André Lajst, ex-soldado israelense e chefe no Brasil da StandWithUs, entidade do lobismo sionista, que é uma doutrina racista, supremacista e de apartheid, permito-me usar dados da Federação Árabe Palestina do Brasil, para mostrar que a comparação de Lula não tem nada de absurdo.
Em 135 dias de genocídio são 29.398 mortos e 8 mil desaparecidos sob escombros. Representa 1,68% da população de Gaza.
Aplicando essa porcentagem ao mundo seriam 136 milhões de mortos. No Brasil, 3,4 milhões de assassinados.
Para efeitos de comparação, numa escala de extermínio, em 6 anos, duração da Segunda Guerra Mundial, seriam três vezes mais mortos. Em 135 dias.
Netanyahu matou, proporcionalmente, 236 vezes mais crianças que a Segunda Guerra Mundial.
Ao fim, o ato terrorista do Hamas, e a morte de israelenses, crianças inclusive, não pode restar como autorização para o genocídio filmado na Palestina.
Obrigado, Lula, por não se acovardar como aqueles que silenciaram frente a Hitler antes do Holocausto, tragédia a qual, como bem observa o jornalista Glenn Greenwald, Netanyahu não é dono.
Às vezes é preciso ir além dos respingos de sangue nos punhos de renda da diplomacia.



