Marcos Rolim esteve em Viamão para falar sobre “violência, educação e pensamento”. A conversa foi uma atividade do programa Galera Curtição, competição entre 53 escolas públicas do município que abordou temas atuais e pertinentes com os alunos, como violência, bullying e diversidade.
O doutor em Sociologia, durante sua tese, realizou um estudo sobre a etiologia da violência extrema. Seu trabalho envolveu 111 jovens, com entrevistas na Fase (órgão que recebe os menores infratores no RS), em uma escola de periferia e no Presídio Central de Porto Alegre. Em quatro anos de pesquisa o especialista detectou um contra-senso em sua amostra: o adolescente que mata ou comete delitos graves não vem de uma família desestruturada ou do vício pela droga, mas principalmente da evasão escolar.
“O treinamento violento se dá quando alguém, geralmente mais velho, instruiu o indivíduo no manuseio da arma, ensina a bater antes de apanhar, valoriza atos de violência e mostra que eles dão mais reconhecimento dentro do grupo”, afirma Rolim que explica ainda que essa socialização entre criminoso e jovem acontece principalmente na adolescência, pois o jovem valoriza as relações de natureza horizontal. É que nesta fase o adolescente quer romper o vínculo simbólico com os pais, porém ainda não está casado, nem tem filhos e nem emprego, então as opiniões de seu grupo acabam moldando suas ações. “De repente, tu tens famílias que são pobres, mas extremamente honestas, com filhos criminosos. Os relatos que ouvi eram – eu tinha de ajudar minha velha, mas não podia deixar ela perceber que eu estava no tráfico.”
Para Rolim só teremos segurança pública em nosso país quando atingirmos a taxa de evasão escolar zero. “Se mantivermos os jovens de classes populares na escola por mais tempo, reduziremos a mão de obra para o crime, que é oferecida gratuitamente a grupos armados”, enfatiza o especialista.
Então, qual a solução? O que fazer?
O sociólogo acredita que a teoria de que violência gera violência está correta, pois, “quando se responde com violência, ela volta. O Estado tem de se diferenciar dos bandidos e começar a atacar o crime antes que se instale. Ou seja, mais políticas públicas para a população.”
Viamão está mudando e aderindo à execução de programas sociais como o Criança Feliz PIM (na região das Augustas), Famílias Fortes, Jovem Aprendiz, Programa de Oportunidades e Direitos e Mulheres Mil. Ano a ano, o município vem diminuindo a evasão escolar por conta de investimentos em tecnologia, inovação e formações. Em 2013, a taxa de evasão no ensino fundamental foi de 2,87%. Em 2014, esse percentual teve uma pequena redução – 2,85%. Em 2015 e 2016, com o uso de tecnologias em sala de aula e a inserção da inovação, o índice de evasão caiu significativamente: 2,56% e 2,42%, respectivamente. A estimativa é que em 2017 esse índice seja ainda menor.





