Médicos se recusam a atender por falta de higienização e unidades de saúde estão paradas

 Consultórios, área de uso comum, salas de vacina, curativos e banheiros estão sem limpeza - Foto: reprodução

 

Paciente: - Alô

Servidor: - UBS São Lucas, bom dia.

Paciente: - Preciso saber se tem atendimento hoje...

Servidor - Não tem curativo, não tem vacina, não tem odonto, e os médicos pararam hoje também.

Paciente: - Sabe quando retornam? Preciso consultar.

Servidor: - Talvez na semana que vem.

O diálogo acima é de uma paciente de Viamão em busca de atendimento na manhã desta quinta-feira (12). O servidor, com o constrangimento explícito na voz, tem a difícil tarefa - mesmo sem ter culpa alguma - de verbalizar esse e outros dezenas de "nãos" a quem busca por saúde no bairro. A população, e quem está na linha de frente da unidade, agora sentem os resultados de um efeito cascata gerado pela falta de servidores para fazer a higienização dos postos de saúde no município, e se agrava justo no momento em que o coronavírus chega em Porto Alegre - bem aqui do ladinho.    

A recusa dos médicos da unidade foi definida em reunião na quarta-feira (11) e comunicada através de ofício enviado à secretaria da Saúde ainda no fim do dia. O motivo é o risco de contaminação em pacientes, profissionais de saúde e demais servidores. A UBS Águas Claras também paralisou o atendimento, sem previsão de volta, e a medida pode ser adotada por mais unidades. 

O documento diz que não haverá atendimento até que o município resolva a questão, portanto, não há garantias de que o serviço seja normalizado nos próximos dias. Nesta quinta-feira, os pacientes agendados foram mandados para casa e orientados a remarcar consultas. 

A reportagem tentou contato com a comunicação da prefeitura, mas não obteve retorno.

 

Imagem: reprodução

 

Os problemas, conforme levantou colega Vilson Arruda, do Viamão e Daí, teriam iniciado em novembro de 2019. A empresa terceirizada que presta o serviço nas UBS de Viamão teria débitos com funcionários, entre salários, vale-transporte e vale-refeição. Também haveria ausência no recolhimento do FGTS. A empresa alega que não está recebendo da Administração municipal. E segundo Arruda apurou, a dívida seria de R$ 400 mil. O caso está na Justiça.

 

Problemas

Nesta mesma semana, a UBS Augusta Meneghini enfrentou problemas de atendimento. Falhas estruturais interromperam o abastecimento de energia elétrica e de água, forçando o fechamento das portas na segunda e na terça-feira desta semana. O atendimento já está normalizado. Mas a falta de higienização também ameaça os serviços.

A Saúde não é a única área que enfrenta dificuldades. As escolas da rede municipal também estão impactadas por falta de serviços de limpeza e preparo de merenda. A questão foi abordada pelo colunista do DV, Rafael Martinelli, e também envolve contratação e pagamento de empresas terceirizadas.

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