Alertas de previsão de tempo severo estão se tornando, de certa forma, comuns nos últimos anos. E isso tem explicação.
– O que aconteceu no dia 16 de janeiro é chamado de tempestade severa. Teve um evento semelhante a
esse no ano passado que pegou mais a região de Canoas. Naquela ocasião, o fenômeno ocorrido foi uma micro explosão. Desta vez, nós tínhamos uma previsão de tempo severo, que foi bastante divulgado, e que realmente aconteceu, atingindo tanto a Região Metropolitana como a Central do Rio Grande do Sul – explica Jossana Ceolin Cera, graduada e mestre em meteorologia, doutora em engenharia agrícola com ênfase em agrometeorologia e consultora no Instituto Rio-Grandense do Arroz (IRGA).
De acordo com ela, tempestades como a ocorrida são mais comuns no outono. Porém, a união da umidade e altas temperaturas do verão deu mais força ao temporal. Desde junho de 2023, o estado vem sofrendo a interferência do fenômeno El Niño – uma convergência de ar quente e úmido que vem da região amazônica.
– Como o nosso estado é uma região de passagens de frentes frias, corremos o risco de passarmos por mais fenômenos. Com a ajuda do El Niño, a condição de temporais em todo o estado é maior. Desta vez,
tivemos duas formações isoladas – acrescenta.
Até esta sexta-feira, 26, Cachoeirinha registrou um volume de 220 milímetros de chuva em janeiro. A média esperada para esta época do ano é de 120, ou seja, já estamos chegando ao dobro. Fenômenos parecidos com o de agora também foram registrados em outubro de 2015 e janeiro de 2016. Coincidentemente, em todos os eventos o El Niño estava acontecendo.
Prevenção é ficar alerta
Questionada se há maneiras de se prevenir com relação aos temporais, Jossana diz que, o que vale é sempre ficar alerta.
– Não sabemos dizer se vai acontecer de novo. Vai ter temporais até março pois estamos no verão. Esses
dias de tempo abafado vão se repetir, nuvens que parecem pipocas no céu são propensas a temporais. Agora tempo severo como o que aconteceu é mais difícil de acontecer, mas não se pode descartar. E eles não são previstos com muita antecedência. Por isso, como desta última vez, se faz o alerta e é neles que as pessoas têm que se ater – finaliza.
Em função disso, a Prefeitura de Cachoeirinha tem seu plano de contingência com relação a fenômenos naturais. Como aconteceu no último temporal, já na segunda-feira, dia 15, a Defesa Civil divulgou alertas.
– Nós mantemos conversa com a Sala de Situação da Defesa Civil estadual, além de receber as notificações do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e da MetSul. Na elaboração do nosso plano de contingência, contamos com a colaboração da meteorologista Estael Sias. Por isso, quando acontecem os fenômenos como o temporal, sabemos como agir – garante o coordenador da Defesa Civil de
Cachoeirinha, Vanderlei Marcos.
Além do plano de contingência, a cidade tem um plano de evacuação e uma comissão permanente de emergência constituídos.



