O amor é lindo

Tudo que eles queriam era amar. Trocar elogios. Passear. Viajar. Porém o tempo... o inquestionável passar do tempo, vai mudando estórias e comportamentos. Jovens pediam carona para ir à praia na época do verão. Contentávam-se com pouco. Comiam sanduíches. Depois ligavam para os pais, contando as novidades. E rindo. Rindo muito, pois a vida era uma delícia. Aliás, por volta dos 20 anos tudo, com raras exceções, é uma delícia.

Depois do casamento e da onda mais intensa do “ amor é lindo” começam a surgir inquietações: onde morar, dinheiro para comprar casa, onde trabalhar para o sustento diário? A coisa já vai complicando. Tudo isto, envolvido ainda, no contexto emocional. Tem mulheres que destroem o casamento por causa da TPM. Felizmente, hoje tratável. E homens que não se contentam com uma só mulher. Arrumam casos extra-conjugais e ferem a confiança da esposa.

Depois, de tempos em tempos, surge a paz. Os filhos. E as preocupações voltam-se para problemas estruturais de família. Quantos filhos teremos? O que ensinaremos a eles? O que os espera, no País em que vivemos? E agora, no mundo  carente e poluído, quais os questionamentos ecológicos que passaremos a eles? E o amor, se não aumentar com o sorriso do bebê, vai sendo trocado por outros sentimentos. Gratidão, pena, paciência.

A vida da união de duas pessoas em nome do amor, é complicada. Se não tiver uma grande dose de persistência, quase sempre sossobra. Amor é antes de tudo, companheirismo e aceitação de que ninguém é perfeito. E os erros precisam ser perdoados. Pelo menos, os não tão graves. Se for tudo a ferro e fogo, o divórcio é certeiro. Hoje mais do que nunca necessita-se também de uma boa base financeira. Porque aquela estória do amor e uma cabana, está no passado. Ou na adolescência. Com muito sexo e suco de laranja. Na vida real e adulta não funciona.

E eles, outrora, apaixonados entraram na igreja, casaram. Pediram a bênção de Deus. À noite, houve tempo para as delícias das relações sexuais e poemas amorosos. Um guardanapo, já amarelado pelo tempo, dizia: “Nosso amor é eterno. Quero que ele seja abençoado”.

Após quarenta anos de paciência e convivência, o cenário muda. Tosse e pouca paciência. Revelações escondidas no tempo vem à tona: Ele:“Na verdade sou ateu. Sou de esquerda. E não acredito no amor”. Ela, sentindo uma certa aflição: “Só o tempo revela as pessoas! Ou elas  se modificam conforme o cotovelo vai enrugando”.Foram dormir. Com seus contratempos, suas angústias e modificações existenciais. Mas o amor, deve continuar sendo lindo.

 

 

 

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