Segunda-feira é pior, o sentimento aflora. Vivendo com uma incerteza constante a respeito de todas as coisas, é assim que estou, é assim que estamos. Sem saber para onde ir, nem o que me espera lá na frente, refém da própria sorte. Não deixar de ver beleza na instabilidade, é o que eu penso, é o que dizem, é o que queremos.
Por vezes, é extremamente difícil resistir ao marasmo, insatisfações e medos que provém de um momento tão caótico. Caos nas ruas, nas pessoas, nas nossas casas e dentro de nós. Pergunto-me se um banho de mar resolveria nossa angustia diária, pergunto-me se o Sol vai me curar, se a Lua vai brilhar diferente amanhã ou depois. Penso nos dias que estão por vir e não sei o que sinto, curiosidade ou indiferença.
Se estou feliz, me culpo pela felicidade. Se estou triste, me culpo pela tristeza. E não estamos todos no mesmo barco? Confusos e com o olhar distante, procurando motivos belos para continuar. Peixinhos que estão nadando contra a correnteza, pássaros tentando encontrar paz dentro da gaiola. E eu existo e estou aqui, perseverando e amando quem me ama, todos os dias. Esperando alguma intervenção divina, e ela não chega nunca. Enquanto isso, faço mais um chá e tento ler outro livro, de ficção se for possível, a realidade que me chega está cansativa demais.
Com carinho e um pouco de esperança, Alice.





