Estamos incertos sobre tudo, e isso assusta. Já não sabemos mais como será o dia de amanhã, mas será mesmo que algum dia soubemos? Vivemos por aí, planejando, criando cenários cheios de dados e números que parecem tão certos, que trazem segurança para a nossa vida, mas será mesmo que estamos tão seguros de tudo quanto pensamos?
Na vida, não estamos seguros de nada. Tudo é tão desconhecido e imprevisivel, estamos tão suscetiveis ao extraordinario a cada segundo da nossa existência, assim como uma criança está suscetível a perder-se de sua mãe no mercado. Ignoramos o fato até que aconteça algo que nos lembre: Não estamos no controle. O que significa controle? O que significa segurança? O que significa estabilidade? Palavra tão presente na boca dos adultos, cheios de sí, cheios de convicções e pensamentos que não estão abertos ao debate.
Pois não estamos todos a margem do acaso? A margem do que virá, acontecerá, chegará ou terminará. Todos os verbos presentes, colocados no futuro, e o futuro não nos pertence, não pode ser comprado e minimamente pode ser planejado. Por que corremos tanto para lugares que não nos representam? Empresas que não nos respeitam, pessoas que não trazem nada de belo para nossa vida, ideias tão retrógradas.
A vida, em todo o seu caos e beleza, é agora. Agora enquanto você lê esse texto, no abraço dos familiares que moram com você, a vida mora no cheiro de café fresco pela manhã. E mais nada, mais nada diz tanto sobre a nossa vida, quanto o cotidiano simplista que vivemos todos os dias. E valorizar não é o suficiente, precisamos olhar com afinco para os detalhes que deixamos passar, apegar-nos aos momentos banais que deixamos passar, e deixamos passar por pensarmos que somos todos eternos e que o futuro nos surpreenderá.
E pode, e deve, o futuro é uma incógnita que não pode ser usada como base para viver o presente, ele deve ser respeitado e jamais subestimado, porém nunca superestimado e usado como métrica para ser feliz “um dia”. Este dia é hoje, agora, quem sabe o que a vida nos reserva?
Estamos provando o agridoce de não saber quais serão as notícias estarrecedoras do jornal amanhã de manhã, a agonia do duvidoso, e sempre estivemos nessa posição. Meros mortais esperando coisa nenhuma, em busca de sei lá o quê, cansados de correr na esteira do mundo. Que delicia sair dessa linha tenue e passar a estar atento ao que é real e concreto: A vida está aquí, nesse instante, isso é tudo. Sem glória, mágica ou fantasia. Ou sim, tudo depende da ótica de quem vê.
O que você vê?
Com afeto, Alice.





