O roteiro é bem batido, principalmente nos filmes da Sessão da Tarde: o mundo vai acabar se o mocinho não fizer o que deve ser feito, e quando ele está executando seu plano mirabolante de salvar o mundo, eis que TCHARANANANANNNNNNNNN, DÁ ERRADO. É aquela velha pegadinha do malandro para despistar o espectador, que a essa altura do campeonato já tinha percebido que o mocinho derrotou o vilão muito rápido mesmo, e que estava dando tudo muito certo. MAS E AGORA, QUEM PODERÁ NOS DEFENDER?
Aí o mocinho, após um longo período de contemplação, pensando TAMO LASCADO, tira um objeto do bolso, dado pela sua vovozinha no leito de morte, que misteriosamente encaixa EXATAMENTE NO BURAQUINHO de desarmar a bomba, salvando assim sua pele e de todo o planeta. Você já deve ter visto essa narrativa em algum filme.
Os livros são como o amuleto que nosso amigo hipotético ganhou de sua vozinha no leito de morte: a gente, muitas vezes esquece que eles existem e não permite que eles salvem o mundo. A fórmula para evitar a catástrofe que nos é apresentada todos os dias, com em forma de tuítes presidenciais e besteiras institucionais proferidas por ministros é simples: obrigar nossos filhos a ler.
Ler palito de picolé, ler o jornal popular do bairro, ler rótulo de shampoo em voz alta enquanto faz o número dois, obrigar a ler as placas nas ruas, a entender sobre música, sobre arte e cinema. Quando quiser saber onde fica a capital de um estado mande ler nos livros e não no Google. Esqueça o Google, ele foi feito para quem não tem tempo para aprender e ninguém, além de um bom professor, é capaz de ensinar uma criança tão bem quanto um livro.
Ensine seu filho a ler não só por obrigação mas por prazer. Ensine que pegar em um livro é como entrar em um mundo só dele e do autor. Ensine que ler é, porque não, um meio de transporte. É preciso aprender a ler, não só para não ser analfabeto, e sim para não ser um ignorante que só reproduz as asneiras que outras topeiras escreveram por aí.
Obrigue seu filho a ler, a cada dia um pouquinho mais, para ele entender desde pequeninho que quem pensa diferente não é seu inimigo, é seu adversário. Ensine a ler todos os tipos de histórias e estórias, pois se um dia ele virar presidente da república vai saber, pelo menos, ler um texto escrito por outra pessoa no telepronter.
Leia e obrigue seu filho a ler, pois um dia ele vai te agradecer e dependendo de quem ele se tornar, todos nós vamos.






