OPINIÃO | Aberta escola de serial killers

Na montagem, Bolsonaro, a menininha da arma e o cavalo pintado | Arte VILMAR MADRI

A criança ao lado da mãe viu um corpo nu numa instalação artística e apelaram até para Jesus voltar a terra. Já Bolsonaro assediando uma menininha a simular uma arma com os dedinhos não sensibilizou os jacobinos do Ministério Público a tirar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) da gaveta.

No dia do lamentável acontecimento, o que se viu foi o promotor Deltan Dallagnol, aquele do powerpoint e do jejum, gravando vídeo durante o expediente ‘ensinando’ o eleitor a votar, claro, em candidatos que tenham como plataforma o ‘combate à corrupção’ – discurso que, não em fakenews ou memes de facebook, a história mostra fazia parte do migué de Hitler a Stalin, passando por Mussolini ou, mais perto, de Collor a Eduardo Cunha. Ou mesmo Lula, para quem acredita nas provas que o condenam.

Algo tem que estar errado quando a honestidade é plataforma de governo e não obrigação.

 

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Um dia depois, no freak show da convenção que lançou a candidatura do capitão – que é réu no Supremo por incitação ao estupro e denunciado por racismo pela procuradoria-geral da república – outra criança branquinha, aparentemente para orgulho dos pais, imitou o gesto do dedinho no gatilho.

Já na ‘vida real’, um colégio de Brasília promovia a ‘pedagógica’ atividade de permitir a crianças, com tintas e canetinhas, pintar um cavalo, como se fora um objeto, não um ser senciente (como decisões judiciais já reconhecem, aqui em Gravataí inclusive), em uma colônia de férias na Sociedade Hípica.

Foram 24 horas em que parece ter aberto no Brasil as matrículas para a escolinha de serial killer, não?

 

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