Projeto da Mu-mu testa base – e os novos aliados

Bonatto foi à Câmara ontem - e instalou uma crise no PDT e no PP

Ida do prefeito à Câmara ontem para entregar o projeto que altera o uso da área da antiga fábrica da Mu-mu pôs eventuais dissidências em xeque

 

Quem estranhou ver Dédo Machado (PDT) atuando mais como líder do governo do que o líder de fato, Nadim Harfouche (PP), que até críticas fez aos projetos do governo, ponha o comportamento dos dois na conta da "reflexão por dias melhores" que os dois certamente farão para começar 2017.

Nadim, que conseguiu aprovar uma emenda no projeto da área azul para Santa Isabel contrária à orientação do governo, ontem à noite parecia irritado. Não com a presença do prefeito Valdir Bonatto, de quem até é amigo. Mas por ver Dédo Machado, candidato a prefeito pela oposição, sendo o fiel depositário da política do governo pela aprovação dos empreendimentos planejados para área da fábrica da Mu-mu.

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O governo não diz, mas fica claro que quem não se alinhar, não terá futuro no novo governo – especialmente se puder contar com Dédo, o mais ágil articulador dos bastidores da Câmara.

 

Pura matemática

 

Neste governo, a coligação que elegeu Valdir Bonatto em 2012 havia feito apenas seis dos 21 vereadores. Só o PT tinha cinco parlamentares.

Cada projeto importante para o governo precisou ser negociado, esclarecido, esmiuçado, conferido, revisado… à exaustão.

Para 2017, a situação é diferente.

O governo André Pacheco terá 15 em 21 – um a mais do que a maioria de dois terços necessária para aprovar codificações, mudar a Lei Orgânica ou regramentos tributários.

A paciência que Bonatto precisou ter com as dissidências pontuais André não precisará sequer experimentar.

 

Dédo e o "Padilha" das Figueiras

 

Se puder contar com Dédo Machado como parece que as coisas se encaminham, o governo de André ainda terá uma espécie de Eliseu Padilha das Figueiras. Padilha, o primeiro-ministro do governo de Michel Temer, é quem tem o mapa dos votos no Congresso Nacional. Sabe onde mora, como vive, do que gosta e – principalmente – como vota cada um dos deputados e todos os Senadores.

É o cara que resolve.

Dédo não é tão organizado quanto Padilha, é verdade. O ministro tinha, tempos atrás, uma grande planilha sempre no bolso do casaco com o nome, o telefone e dicas sobre os 513 deputados e quem, entre eles, liderava os demais.

Em Viamão, nem precisa tudo isso. Um celular e uma boa leitura do dia a dia são suficientes. Afinal, são só 21 vereadores.

 

Crise no PDT?

 

Ontem, Alexandre Godoy – o presidente de honra do PDT em Viamão – foi visto aos gritos com Dédo. Sentiu que não tem volta: o candidato a prefeito que apoiou estará nos braços do governo.

Há duas semanas, Godoy parecia conformado com a situação. Como uma pantera com as garras aparadas, falava apenas em uma discussão com o partido e não um papo isolado com Dédo para que o PDT se assumisse como governo, houvesse de fato um convite que só apareceu à meia-luz até agora.

Ontem, ameaçou até expulsar Dédo, a quem chamou por adjetivos nem tão republicanos.

– Expulsa, então – deu de ombros o vereador.

Com as relações que tem, Dédo só deixa o PDT se quiser. Amigo e escudeiro de Daniel Bordignon (PDT), que fez mais votos mais ainda não levou a eleição em Gravataí, e aliado do grupo político que quer um novo PDT metropolitano, Dédo vê as ameaças de Godoy só como palavras ao vento.

Nos próximos dias, ainda vamos ver como as garras da pantera estão afiadas.

 

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