Projeto Insurgências circula por seis cidades gaúchas com espetáculos que discutem temas como racismo, gordofobia, transgeneridade e acessibilidade 

Cena de "Corpo Casulo", que faz parte de projeto que vai passar por seis cidades do Estado. Foto: Diogo Vaz/Divulgação

Pelotas, Santa Maria, Bagé, Caxias do Sul, Passo Fundo e Porto Alegre recebem a programação cultural gratuita que conta com apresentações das peças "Negreiros", "Gordança" e "Corpo Casulo", além de oficinas de artes cênicas

Três espetáculos gaúchos com temáticas sociais urgentes vão circular pelo Rio Grande do Sul a partir do dia 30 de julho, levando reflexões sobre assuntos como racismo, gordofobia, transgeneridade e acessibilidade para os palcos. A iniciativa faz parte do projeto Insurgências: protagonismo dissidente na cena, que passará por Pelotas, Santa Maria, Bagé, Caxias do Sul, Passo Fundo e Porto Alegre com uma programação cultural totalmente gratuita e acessível em Libras, que ainda inclui duas oficinas de artes cênicas.

Nas seis cidades, o público poderá conferir as peças "Negreiros - Histórias que a História não conta", trabalho do Grupo Teatral Leva Eu que fala sobre tráfico de pessoas e fluxos migratórios, ampliando o debate racial no Brasil; "Gordança: uma palestra dançada", da Cia T.O.D.A.S, que faz uma celebração da corporalidade gorda em cena, unindo humor e memórias; além de "Corpo Casulo", que resgata diferentes histórias entrelaçadas pela vivência da transgeneridade, em produção assinada pelo Coletivo Intransitivo.

O projeto propõe a circulação de três obras cênicas criadas por coletivos que, em suas práticas artísticas, investigam as camadas das violências estruturais que atravessam corpos dissidentes no Brasil, produzindo experiências comprometidas com transformações sociais em seu fazer” -Luka Machado, coordenadora de comunicação do projeto.

A iniciativa ainda conta com atividades de formação, ampliando o debate crítico das obras para momentos de encontro voltados à reflexão. Haverá uma oficina de produção cultural ministrada pelos artistas multidisciplinares Gustavo Deon, Igor Ramos, Juliana Johann e Luka Machado, e outra de acessibilidade cultural facilitada por Lucas Bourscheid, pioneiro na inclusão cultural como o primeiro ator surdo com registro profissional no Estado, e por Lucas Terres, intérprete de Libras responsável pela acessibilidade em toda a programação.

  • Os workshops serão voltados a estudantes das universidades de artes cênicas do Estado, mas também serão abertos a todos os interessados no assunto.

“As ações formativas propostas no projeto têm como objetivo impulsionar os trabalhos desenvolvidos pelos estudantes de artes cênicas do Estado. Além de contribuir na profissionalização de novos artistas, os três espetáculos se relacionam com as graduações no sentido de que foram produzidos dentro da academia ou serviram como referência para pesquisas, conectando as ações formativas com a cena e possibilidades de atuação no mercado de trabalho do setor cultural”, explica a produtora Juliana Johann.

Ao todo, serão 18 apresentações e 14 oficinas realizadas entre julho e outubro deste ano nos seis municípios gaúchos. A estreia será na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) com apresentações de "Negreiros" no dia 30 de julho, às 17h30min, e de "Gordança" e "Corpo Casulo" no dia 31 de julho, às 11h e 17h30min, respectivamente. As oficinas na cidade acontecerão no dia 1° de agosto das 9h às 12h e das 14h às 15h30min. Os ingressos já podem ser retirados gratuitamente pelo Sympla e as inscrições para o eixo formativo podem ser feitas, também sem custo, pelo formulário disponibilizado nas redes sociais pelo @insurgenciasnacena.

Depois, o projeto chegará à Universidade Federal de Santa Maria de 27 a 29 de agosto, à Secretaria de Cultura de Bagé de 30 de agosto a 1° de setembro, à Universidade de Caxias do Sul de 5 a 7 de setembro e ao Sesc Passo Fundo entre 26 e 29 de setembro. Na capital gaúcha, a programação será realizada em diferentes espaços universitários, entre os meses de setembro e outubro, com datas a serem confirmadas em breve.

  • O projeto é realizado com recursos do Edital Sedac nº 26/2024 PNAB RS - Artes Cênicas, com financiamento Pró-Cultura do Governo do Estado do Rio Grande do Sul e realização do Ministério da Cultura do Governo Federal.
  • A iniciativa, além de ser aprovada, recebeu uma bonificação do IEACEN - Instituto Estadual de Artes Cênicas, que possibilitou dobrar o número de ações previstas inicialmente e alcançar ainda mais territórios com a proposta de experiências.

Mais detalhes

Espetáculo "Negreiros - Histórias que a História não conta"

A montagem do Grupo Teatral Leva Eu propõe um mergulho na escravização contemporânea que envolve o tráfico de pessoas, fluxos migratórios e a ampliação do debate racial no Brasil. A peça, estrelada por Juliano Felix, Cigarra e Lucas Terres, parte de alguns disparadores para dialogar com o passado e o presente, misturando fatos históricos e políticos sobre a condição real e atual do negro no País, procurando ampliar a discussão dialética sobre a criminalização e a morte da juventude negra nas periferias. Com direção geral de Igor Ramos e dramaturgia de Diego Ferreira, o espetáculo serve como metáfora para provocar outros olhares sobre situações contemporâneas análogas ao trabalho escravo e, consecutivamente, falar sobre racismo, preconceito e corpo negro (des)colonizado na cena.

Espetáculo "Gordança: uma palestra dançada"

A peça tem como temática a corporalidade gorda, as vivências, violências e prazeres desse corpo no mundo. Em cena está Renata Teixeira, atriz bailarina gorda que joga com conceitos e memórias, mesclando narrativas pessoais com reflexões sobre gordofobia, pressão estética e padrões corporais. Através da exposição do sensível, da proximidade com o público, do humor, da força do balanço da carne, da beleza da curva, do ritmo da dobra, a montagem com direção de Guadalupe Casal e com dramaturgia assinada por Renata em parceria com Patricia Fagundes, articula denúncias e possibilidades de transformação, celebrando a diversidade do que podemos ser.

Espetáculo "Corpo Casulo"

O trabalho tem como tema central a transgeneridade. Encenado por Gustavo Deon, uma pessoa transmasculina, e produzido por uma equipe majoritariamente formada por pessoas trans, a narrativa apresenta as vivências do ator, costuradas a histórias de outras pessoas trans e da memória social na qual vivemos culturalmente. O trabalho é um monólogo e conta com a codireção e produção de Luka Machado. Através das ferramentas de diálogo que o coletivo encontra na arte, o espetáculo busca proporcionar momentos para sentir, na tentativa de contribuir na construção de uma sociedade onde os direitos das pessoas trans sejam respeitados, os corpos naturalizados e a história lembrada.

Oficina Produção Cultural

Oficina com foco em gestão de equipamentos culturais, gestão de grupos, elaboração de projetos culturais e comunicação para projetos culturais, ministrada pelos artistas multidisciplinares Gustavo Deon, Igor Ramos, Juliana Johann e Luka Machado.

Oficina Acessibilidade Cultural

Oficina com foco em acessibilidade comunicacional e Libras, facilitada por Lucas Bourscheid, pioneiro na inclusão cultural como o primeiro ator surdo com registro profissional no Estado, e por Lucas Terres, intérprete de Libras responsável pela acessibilidade em toda a programação.

Serviço

Insurgências: protagonismo dissidente na cena
Programação cultural gratuita e acessível em Libras, com espetáculos e oficinas

  • De 30 de julho a 1°  de agosto - Universidade Federal de Pelotas
  • De 27 a 29 de agosto - Universidade Federal de Santa Maria
  • De 30 de agosto a 1° de setembro - Secretaria de Cultura de Bagé
  • De 5 a 7 de setembro -  Universidade de Caxias do Sul
  • De 26 a 29 de setembro - Sesc Passo Fundo
  • Entre setembro e outubro - Porto Alegre, em locais a confirmar
  • Ingressos e inscrições pelo Instagram @insurgenciasnacena

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