Saul Teixeira | Meu tio e o gol mais rápido da história dos Gre-Nais

Imagem: Reprodução

Quantos craques foram forjados nos campos carecas Brasil afora? Meu tio Eli Martins, o popular Miquimba, era um deles. Jogava na vila Floresta e na Auxiliadora, ambos na zona Norte da Capital.

Um de seus parceiros de ação ofensiva era Júlio Titow, ou simplesmente Yura, para os íntimos, autor do gol mais rápido da história dos Gre-Nais, pelo Grêmio, aos 14 segundos, em 1977. “Ele jogava na meia ou na ponta. Eu era ponta-esquerda. Gostava de puxar pro meio e chutar”, relembra meu parente. 

O movimento conhecido como facão, consagrou o esposo da irmã da minha mãe nos campeonatos amadores. Tanto que na mesma época em que Yura foi convidado para fazer teste no Grêmio, ele recebeu o mesmo convite do Inter. “Na época futebol era encarado como brincadeira, como divertimento. Minha família disse que eu tinha que trabalhar, porque futebol não sustentava ninguém”, lamenta.

“A primeira oportunidade de Yura também foi no Inter, embora ele fosse gremista e tenha ido contrariado”, relembra. A memória dele relata que o futuro camisa 7 do Grêmio não permaneceu nos Estádio dos Eucaliptos devido ao pouco peso. Tempos depois, fez história no Grêmio. “Numa época em que só dava Inter, o Yura conseguiu ser ídolo no Olímpico”, relata meu tio.

Em 1980, Yura estava no Criciúma e foi negociado com o Inter. Na época o atleta era um “produto” e, portanto, não tinha liberdade de escolha – realidade alterada somente com o advento da Lei Pelé. Ao chegar na sala da presidência colorada, pediu um salário astronômico justamente para não dar negócio.

Meu tio, elogia o amigo de adolescência. “Ele está certo. Futebol não é só dinheiro. Eu também não jogaria no Grêmio por dinheiro nenhum do mundo”, completou.

Eli Martins, 72 anos, é quase aposentado após ganhar a vida e sustentar a família como pintor. Talvez o Inter tenha perdido um ponta da estirpe de Lula, Carlitos e Mário Sérgio. Mas, inegavelmente, tem um torcedor que mereceria estar na calçada da fama do estádio Beira-Rio. Assim como Yura, com toda a justiça, é integrante da calçada azul, preto e branco pelos dois motivos: gremista dentro e fora das quatro linhas. 

Como diria meu tio, “Futebol não é apenas dinheiro”. E, por favor, não usemos o nobre rótulo do PROFISSIONALISMO para passar “panos quentes” nos mercenários. 

Portanto… 

Salve, Yura! Salve, Miquimba! Salve, Douglas Costa! Salve, Taison! Salve, Felipão! Salve, Abel Braga! 

Alô, Ronaldinho e Assis…

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