Domingo à noite, uma solidão imensa povoava a ruazinha da praia. Paralelo à rua, restos de efervescência das festas consagradas aos pais. Consagração esta que, em verdade, esteve retraída neste 2020 devido ao vírus bestial que faz a humanidade desestabilizar-se. Observo luzes em alguns apartamentos. Caminho até o mar desintoxicando-me do tédio que imobiliza os atuais finais de semana.
A caminhada é breve. O mar é logo ali. Ali onde moram as dunas. Ali, onde volta e outra aparece um lobo marinho descansando de sua jornada marítima. E onde, no verão, se apinha gente de muitos lugares. De todo o estado gaúcho, e até os “hermanos” do Uruguai e da Argentina. Agora, um arzinho frio e úmido salpica areia em meu rosto. Quero ir além. Quero chegar à praia. Avisto-a. Estranha, hoje. Está cheia de pontinhos brancos. Deve ser oito horas da noite! Imagino que, talvez, os pontinhos possam ser a espuma das marés trazidas pelo vento. Ou não?
Mais próximo, vejo mais claramente que os pontinhos brancos estão em movimento. A certeza é de que não é espuma. Eles voam. Em seguida, a visão de uma revoada de pássaros. São muitos. Grandes e brancos numa sintonia única. Fazem acrobacias no ar. Sobrevoam a praia. Voltam aos céus. Descem novamente. Permanecem assim por vários minutos.
Um solitário moço com abrigo de capuz está sentado observando tudo. Olha os pássaros desde a escada de um quiosque fechado. Tudo é nebuloso. A noite contém segredos e magias. Pergunto a ele:
- Que pássaros são estes?
Ele responde.
- São albatrozes e costumam nesta época vir para cá.
O espetáculo desta aparição é grandioso. Tenho a certeza de que a natureza está se recompondo. De que Deus existe. Os pássaros, num bailado compassado, voam todos ao mesmo tempo pela extensão da praia, num bate asas sintonizado. Sobem uns metros acima e voltam a pousar na areia fina e molhada.
Os Albatrozes são aves marinhas migratórias de grande porte, extremamente adaptadas à vida em alto mar. Passam a maior parte da vida pelo oceano aberto, buscando alimento. Visitam costas ou ilhas apenas para se reproduzir e cuidar dos filhotes. Não são grandes mergulhadoras, já que a plumagem de um albatroz é espessa e impermeável para manter seu corpo quente e seco, como se estivesse envolto por uma bolha de ar quente.
Existem, no mundo, 22 espécies de albatrozes, sendo que seis deles sobrevoam as águas do Brasil ou interagem com a pesca brasileira.





