Viver a utopia

Foto: Vitória Proença

por Valter Júnior

De 1 a 3 de dezembro aconteceu, em Santa Maria, a 11ª edição do Morrostock: como o nome sugere, um festival de música baseado na paz e no amor sem preconceitos, em meio à natureza. Quase meia centena de bandas se apresentaram no evento, variando entre nomes brasileiros, argentinos, uruguaios, mexicanos, norte-americanos e canadenses, com destaque para a gigante do rock psicodélico Mutantes. E Viamão esteve presente lá - não nos palcos, mas vivendo a maravilhosa utopia que a experiência proporciona.

Tem como sede, desde a edição do ano passado, o Balneário Ouro Verde. Lugar paradisíaco, há quase uma hora de qualquer estrada asfaltada, fica ao pé do morro e é cortado por um riacho a todo momento frequentado pelo público que se refrescou entre um show e outro. Entre dois palcos se dividiam bandas independentes que compartilham a ideia de positividade e representatividade de todo indivíduo. Desde a apresentação vibrante do Bloco da Laje, contagiando o público com o brilho que emanava dos corpos purpurinados e também dos sorrisos de todos, até o já consagrado repertório da banda Dingo Bells, passando pela lisergia dos goianos da Boogarins, praticamente em qualquer horário do dia era possível curtir apresentações incríveis que deram ainda mais vida ao lugar. Um público que chegou na base de duas mil pessoas, organizadas em barracas de camping que viraram pequenas comunidades onde todos se ajudam sem pedir nada em troca, que convergiu em um grande fenômeno no qual o povo se une para viver, pelo menos por algum momento, a utopia.

A galera que vive o Morrostock não está alí por acaso. Não caiu de paraquedas, não estava simplesmente passando na rua e entrou para dar uma olhadinha. São pessoas que rodaram por centenas de quilômetros para estar alí: acreditam no movimento que prega o respeito entre as pessoas, o cuidado com a natureza, a ideia de um mundo melhor e muito mais afudê. Cantam e dançam junto com cada banda, mesmo que antes desconhecida. Distribuem sorrisos e abraços para a pessoa que cruza seu olhar. Quem chega lá e vê famílias inteiras, até com crianças pequenas, curtindo e compartilhando aquela experiência, entra no clima e se transforma. Mesmo para quem já conhece, é impossível não voltar para a selva de pedra com a cabeça feita. Estar em um lugar em que não há o mínimo medo de ser roubado e, pelo contrário, tem a certeza de que o outro vai estar pronto para te ajudar no que precisar, hoje é raridade, mas no Morrostock é o normal. Alí o mundo, a humanidade e suas organizações funcionam harmonicamente de verdade. E, ao entrar no carro para voltar para a cidade, levam-se a certeza de que podemos ser pessoas melhores e também já a vontade de viver o próximo Morrostock.

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