Que após a eleição políticos não enganem os contrários ao pedágio na 118; A ’cirurgia plástica’

ERS-118 | Foto ITAMAR AGUIAR | Palácio Piratini | Arquivo

Como alertei em Plano B do Palácio Piratini para 118 bota a teste o ’não’ de ano eleitoral dos políticos ao pedágio, o plano B do governo Ranolfo Vieira Jr. (PSDB) – e do renunciante Eduardo Leite (PSDB) – vai colocar a teste o “não” de ano eleitoral de nove em cada dez políticos ao pedágio na ERS-118 entre Gravataí e Viamão.

Após pressão contrária de empresários, prefeitos e parlamentares, o Palácio Piratini deixou vazar uma alternativa e, oficialmente, devolveu para “estudos” um dos blocos de oito rodovias da Região Metropolitana, Litoral e Serra apresentadas ao mercado para concessão há um ano.

O Bloco 1 inclui a 118 e estradas como a RS-020, a RS-040, a RS-115, a RS-235 e a RS-239.

O governador pediu que o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) refaça estudos e, em quatro meses, informe se é possível não pedagiar a 118, principal polêmica do bloco, para que possam ser realizadas novas audiências e consultas públicas. A projeção é de que a publicação do edital ocorra apenas no fim do ano.

– Não foi a eleição que fez tomarmos essa decisão. A decisão foi sim de natureza técnica, a fim de buscar um maior diálogo e resolução sobre o assunto – disse Ranolfo à GZH.

O ‘plano B’, caso a necessidade do pedágio seja confirmada pelo banco responsável pelos estudos da concessão, foi revelado pelo jornalista Jocimar Farina: o Governo do Estado bancaria a pavimentação do trecho de 15 km entre os dois municípios, orçado em R$ 110 milhões, e descontaria do contrato de concessão.

Para a obra seria usado parte dos R$ 490 milhões que o Palácio Piratini quer “doar” para rodovias federais.

Não seria o único investimento público antes de entregar a administração da rodovia à iniciativa privada. A duplicação custou, entre 1998 e 2020, mais de R$ 400 milhões.

Há, ainda, a construção de uma elevada no acesso ao Distrito Industrial de Gravataí, ao custo de R$ 28 milhões, cuja ordem de início deve ser assinada pelo governador dia 1º, como reportei em Em Gravataí, início do fim de uma fake news de 400 milhões; O Vanucci e ’a Áfica é logo ali’.

O cálculo do governo Ranolfo/Leite é que, retirando do contrato de concessão os novos investimentos públicos, a tarifa do pedágio a ser paga pelos usuários da rodovia pode ser menor.

Com os valores arrecadados, a nova administradora da rodovia faria a manutenção da rodovia, desde Sapucaia do Sul até Viamão, além de executar as demais obras previstas para o Bloco 1, que inclui também estradas como a RS-020, a RS-040, a RS-115, a RS-235, a RS-239 e a RS-118.

Em junho de 2021, quando apresentou o plano de concessões, o governo projetou que o pedágio custaria entre R$ 5,54 e R$ 7,39 – dependendo da proposta da empresa vencedora.

Por que insisto para o teste ao “não” de ano eleitoral?

É que desconfio a proposta apresentada por Ranolfo, e articulada nos bastidores por Leite, seria a utilizada pela candidatura vencedora na eleição deste ano, seja ligada ao governo ou oposição.

Com exceção de Ranolfo, todos os pré-candidato ao Governo do Estado já se manifestaram “contra”, quando procurados pelo coordenador Darcy Zottis e os representantes do Movimento RS 118 Sem Pedágio, como tratei pela última vez sexta, em Os deputados contra o pedágio; O Velho Oeste do Billy the Kid.

Alternativa ainda não vi.

O que se tem hoje é que políticos se mostram contra pedagiar a 118, mas nenhum apresentou claramente uma proposta para a manutenção da rodovia, seja feita pelo poder público, ou pela iniciativa privada.

Ao fim, só não vale dizer “não” antes da eleição e, no primeiro ano de governo, o conhecido “ano da maldade”, o governo da vez apresentar proposta de pedágio alegando que a 118 está se deteriorando e os mais de R$ 400 milhões investidos em dinheiro público estão esvaindo pelos buracos na estrada.

Algo como aquela máxima de que “agora que as ideologias falharam, só nos resta a cirurgia plástica”.

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